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Atualizado em 01/04/2016 às 17h05

Casa do Bairro recebe equipe de laboratório de design social para atividades na região no Desterro

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Da Redação - Agência São Luís

Casa do Bairro recebe equipe de laboratório de design social para atividades na região no DesterroOs moradores do Centro Histórico não precisam de convite ou motivos para visitarem a Casa do Bairro, localizada na rua da Palma, 415, projeto pioneiro da Prefeitura de São Luís, criado para oferecer ações de atendimento social à população daquela região. O local se solidifica como um núcleo de associação e encontros, que contabiliza ações de revitalização e bem-estar para o patrimônio histórico e humano da cidade.

O presidente da Fumph, Aquiles Andrade, comemora a ocupação dos moradores no equipamento construído pela Prefeitura. "É uma satisfação muito grande ver que a Casa do Bairro de fato está sendo um instrumento tão importante de aproximação das ações públicas com a comunidade e também um ponto de encontro para mobilização por parte dos próprios moradores, que estão despertando para o sentimento de pertencimento do bairro em que vivem", destaca.

De portas abertas também para quem chega de outros pontos da cidade, a Casa do Bairro recebeu em seu auditório, reuniões de um grupo do Laboratório de Design Social do Desterro (LABDES), parte do projeto da pesquisa de doutorado desenvolvido pelo professor do curso de Designer da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Delano Rodrigues, com foco em designer social, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. O trabalho compara a situação de dois bairros localizados em países diferentes, mas com histórias em comum.

O trabalho da equipe do Desterro, desenvolvido na Casa do Bairro, teve um resultado bastante significativo: a iniciativa de um grupo de moradores, ativistas e artistas, durante o final de semana passado, de limpar e capinar um terreno localizado nas esquinas das ruas do Giz e Jacinto Maia, no Desterro, próximo ao Convento das Mercês. O LABDES é formado por 20 pessoas, que se encontram semanalmente para discutirem formas e atividades para manter a ocupação do bairro.

Para chegar ao terreno foi feito um mapeamento de toda a extensão do Desterro. O local foi escolhido por ser acessível e por ficar numa área que estava isolada pelo tapume do Convento das Mercês. Muitas ideias já foram discutidas para aproveitar a habitabilidade do local. Desde a montagem de cine-parede; painel com grafite; instalação de bancos para uso do local para descansar depois do almoço; criação de jardim e horta urbana, entre outras. "A intenção é ocupar o espaço e que essa ocupação seja sempre com a participação e interesse dos moradores", conclui Rodrigues.

"O que estou tentando provar na minha hipótese, é que se eu conseguir transferir conhecimento para estas comunidades, elas podem sozinhas constituir suas redes e encontrar soluções para os problemas existentes. Meu trabalho compara o bairro Cova da Moura, localizado na periferia de Lisboa, com o bairro do Desterro, que de certo modo sofre estigmas semelhantes. E dentro desta comparação quero ver questões culturais e habilidades específicas dessas duas populações que possam ser transferidas para outras comunidades", explica o professor Delano Rodrigues.

O morador Fonseca Maranhão tem participado ativamente do projeto. "Acredito que a ocupação deste terreno vai fazer com que outros espaços sejam valorizados e isso é sempre positivo para nós", diz. Os estudantes do IFMA Stefanne Carla, Wanessa Costa e Laécio Fontenelle passaram a conhecer melhor o bairro. "Conhecemos muitos lugares que passavam despercebidos por nós, porque vínhamos direto para a sala de aula e não prestávamos atenção no cotidiano do bairro", contam.

TRABALHO EM REDES

A pesquisa de Rodrigues envolve a discussão sobre designer social, táticas de microplanejamento urbano para o desenvolvimento de zonas urbanas em processo de degradação. "Trabalho a hipótese de que se forem transferidos conhecimentos necessários sobre designer para as comunidades, elas podem criar a capacidade de projetar soluções para esses bairros e tudo isso trabalhando dentro da perspectiva da construção de redes", acredita.

No bairro do Desterro e em Cova da Moura, na cidade de Lisboa, foi desenvolvida uma oficina a partir de conhecimentos básicos de designer na qual foi pedido aos participantes que  propusessem uma solução para os problemas do bairro e que permitisse também o encontro dos moradores.

Em São Luís participaram da oficina moradores, ativistas, artistas e alunos do IFMA. "Os alunos que participaram não moram no Centro Histórico. Isso abriu uma expectativa interessante, o olhar do outro, do exterior", explica o pequisador. O trabalho de campo serviu para que alunos e moradores desenvolvessem um outro olhar sobre o bairro.

Para o professor Rodrigues, os dois trabalhos têm a possibilidade da abertura de novas visões, novas percepções sobre esses territórios. "A gente trabalha a transformação destes estigmas. Por meio da criatividade, qualquer pessoa pode agir intuitivamente como um designer, quando ela se depara com um problema e que precisa resolver rapidamente", conta.

 

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