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Quinta-feira, 06/11/2014 - 17h37

Palestra sobre Odylo Costa, filho e reggae atraem público à 8ª FeliS

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Da Redação - Agência São Luís

Palestra foi ministrada pelo teólogo e especialista em ciência da religião, Claunísio Amorim, e pelo jornalista alagoano Luiz Guthemberg.A trajetória no jornalismo e na literatura de Odylo Costa, filho, um dos homenageados da 8ª Feira do Livro de São Luís (FeliS), foi tema de palestra com participação do jornalista alagoano Luiz Guthemberg e do teólogo e especialista em ciência da religião, Claunísio Amorim. A apresentação ocorreu na noite desta quarta-feira (5) no Café Literário Odylo Costa, filho – espaço que homenageia o escritor maranhense – na Fundação da Memória Republicana Brasileira, no Convento das Mercês.

Em sua abordagem sobre a trajetória do imortal da cadeira nº 15 da Academia Brasileira de Letras, o jornalista alagoano Luiz Guthemberg enfatizou a vocação de Odylo Costa, filho para o jornalismo. "A primeira ideia que se tem de Odylo deve partir de uma definição do papel que ele teve na vida. É que ele foi um jornalista", resumiu o palestrante antes de pontilhar as principais passagens da biografia do maranhense, comandante de revolução promovida na imprensa brasileira a partir do Jornal do Brasil.

Na exposição que fez sobre o poeta maranhense, Claunísio Amorim descreveu o impacto que a morte do filho em situação trágica de violência produziu na obra de Odylo Costa, filho. Amorim destacou trechos da produção poética do escritor para demonstrar a resistência deste diante da tragédia pessoal para manter a fé em Deus. "Não quero ser novo, apenas cria. Vou remover a mão desesperada em cima das veredas da alegria para as visões da terra recuperada. Crer só nos homens não me basta, cansa", citou Amorim durante a explanação.

Guthemberg salientou que a partir da tragédia vivenciada por Odylo Costa, filho com o assassinato de seu filho é que deslanchou a rede de amparo ao adolescente infrator. Embora algumas das iniciativas incentivadas por Odylo, como a criação da Fundação do Bem Estar do Menor (Febem), tenham malogrado.

No entendimento do palestrante, foi a esperança de encontrar coisas boas que conduziu o poeta a manifestar sua fé em obras como o "Soneto da Fé Simples". Segundo Claunísio Amorim, a passagem por Portugal onde Odylo permaneceu por três anos entre 1964 e 1967, após o assassinato do filho por um adolescente, não provocou a quebra do sentimento de fé. "Em um soneto, Odylo não só perdoa o assassino, como o defende", contou Amorim. Parte desta tragédia está contida no livro de crônica "Os meninos e outros meninos", lançado alguns anos após a morte de Odylo Costa, filho em 19 de agosto de 1979.

A palestra foi prestigiada pelo presidente da Academia Maranhense de Letras (AML), Benedito Buzzar, e outros imortais como João Ewerton e Ceres Fernandes, além de poetas como Salgado Maranhão, entre outros escritores, professores e acadêmicos.

REGGAE NA 8ª FELIS

No sexto dia da 8ª FeliS, o espaço para debates também contemplou o tema "A literatura do reggae", que teve como debatedores o professor dos cursos de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Carlos Benedito Rodrigues da Silva, o Carlão; e os jornalistas Karla Freire e Otávio Rodrigues, este último de São Paulo. A apresentação também foi realizada na sede da Fundação da Memória Republicana Brasileira e atraiu um grande público.

O debate focou as origens do consumo do reggae pela população da ilha de São Luís, sua expansão para o estado e os preconceitos ainda enfrentados pelo movimento. Para o professor Carlão, as correntes diaspóricas que para o Maranhão transportaram diversas etnias africanas promoveram contatos de elementos multiculturais, surgindo daí uma das explicações da ligação com o reggae. "Na verdade, o movimento de reggae não chega ao Maranhão pelas ondas do rádio ou televisão, chega por meio da própria população", afirmou Carlos Benedito.

Segundo o jornalista Otávio Rodrigues, em suas primeiras visitas a São Luís, em que costumava hospedar-se em hotéis da cidade, geralmente a recomendação dos porteiros era de que evitasse visitar os barracões de reggae. Essa percepção também foi sentida pela escritora Karla Freire, autora do livro "Onde o reggae é lei". "Esse preconceito ainda existe. Enfrentei muito quando tive que fazer a pesquisa de campo do meu trabalho. Comparando com outros movimentos como o axé, o reggae é muito mais seguro", comparou a escritora.

SOBRE A FELIS

Debates, palestras, exposições, entre várias outras atividades de incentivo à leitura podem ser conferidas na programação da 8ª Feira do Livro de São Luís (FeliS) que será realizada até este domingo (9) no bairro do Desterro. O evento é promovido pela Prefeitura de São Luís, através da Fundação Municipal de Cultura (Func) e da Secretaria Municipal de Educação (Semed), com correalização do Serviço Social do Comércio (Sesc/MA); patrocínio da Vale; e apoio da Associação dos Livreiros do Estado do Maranhão (Alem), Fundação da Memória Republicana Brasileira e Secretaria de Estado da Educação.