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Atualizado em 19/01/2017 às 17h33

Universo fantástico da literatura norteou roda de conversa na Galeria Trapiche

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Da Redação - Agência São Luís

Público participa de roda de conversa na Galeria TrapicheCom a finalidade de fortalecer as iniciativas culturais da cidade, a Prefeitura de São Luís, por meio da Galeria Trapiche Santo Ângelo, equipamento cultural do município, tem aberto suas portas a muitos projetos que fomentam, discutem e estimulam a produção das artes na esfera local. Um destes projetos é o Literatura Mútua, que se consolidou em 2016 e retornou este ano. A primeira edição de 2017 ocorreu nesta quarta-feira (18), em um bate-papo literário com a escritora maranhense Laísa Couto.

Na ocasião, a autora do livro "Lagoena – O portal dos desejos" (Editora Draco, 2014), falou sobre suas influencias, entre elas a mitologia e o folclore. Também foram expostas ilustrações inéditas e rascunhos sobre o universo fantástico retratado no livro.

"O Literatura Mútua casa com tudo que a Galeria se propõe como equipamento público cultural. Além de ser um espaço que existe para ser ocupado por artistas maranhenses é um projeto espontâneo que fomenta novos talentos da cidade. A ideia é mostrar que este lugar está para ser habitado, queremos trazer pessoas para fazer parte deste ambiente, não só vir para apreciar uma exposição, mas que seja um ponto de encontro de artistas e que estes desenvolvam seus trabalhos aqui", destacou a diretora da Galeria Trapiche, Camila Grimaldi.

Entre os assuntos debatidos, o público instigou sobre as poucas oportunidades para autores locais. "Uma experiência negativa enquanto escritora foi perceber que as pessoas não leem autores brasileiros, ainda mais no gênero de fantasia que escrevo, e ainda tem um certo preconceito em apostar que a leitura será boa. Estar aqui é uma boa oportunidade para quebrar alguns tabus e nos aproximarmos do público leitor", ressaltou Laísa Couto.

A autora, que escreve desde os 18 anos, falou sobre suas primeiras experiências como leitora e como sua formação visual influencia na sua escrita. "Para mim a imagem e a literatura sempre caminharam muito juntas, desde antes de ser alfabetizada eu já tentava decifrar histórias apenas pelas ilustrações. Isso criou em mim uma memória visual muito forte e por isso fico tão imersa no universo fantástico", diz.

Laísa Couto disse que demorou cinco anos para concluir 'Lagoena' e mais quatro para conseguir publicá-lo. "Para quem está começando, além do desafio de construir um público, é ter editoras que apõem nossos projetos. Minha maior satisfação é hoje viver coletivamente o que por muito tempo foi só meu e que sonhei sozinha".

Wescley Brito, poeta e escritor, foi prestigiar o evento e também compartilhou suas experiências durante a roda de conversa. "O que parece é que o mercado editorial existe mais visando lucro. Quando procuramos livros, achamos mais aqueles que já estão na mídia".

PROJETO

O projeto teve 11 edições no ano passado e já tem programação definida até o fim deste ano. O objetivo é compartilhar experiências e influências de leitura. "Temos boas expectativas para este ano, já temos fechados 15 autores até dezembro, fruto da grande repercussão que foi o projeto na primeira temporada. Ainda temos muitos autores locais que não conhecemos, publicados ou não, e que nem sempre encontram um espaço para falar de seu trabalho, mas tem muito o que compartilhar", contou Talita Guimarães, idealizadora e mediadora do projeto.

A programação 2017 do projeto prevê edições entre janeiro e dezembro com 15 autores convidados, entre poetas, romancistas, cordelistas, documentaristas e dramaturgos. A saber: Laísa Couto (MA), Elizeu Cardoso (MA), Dyl Pires (MA), Aurora da Graça (MA), Beto Scanssete (MA), Déa Alhadeff (MA), Fernando Abreu (MA), Jorgeana Braga (MA), Bruno Azevêdo (MA), Frederick Brandão (MA), Sharlene Serra (MA), Rose Panet (PB), Júnior Lobo (MA) e Igor Nascimento (MA).

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