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Atualizado em 23/09/2017 às 12h08

Espetáculo encenado na Galeria Trapiche discutiu protagonismo feminino nos dias atuais

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Da Redação - Agência São Luís

Espetáculo encenado na Galeria Trapiche discutiu protagonismo feminino nos dias atuais
A Ofélia, de Willian Shakespeare, da obra Hamlet, escrita por volta de 1601, foi resgatada na sexta-feira (22), na mostra "Espelhos: uma instalação em movimento", na Galeria Trapiche Santo Ângelo, equipamento cultural da Prefeitura de São Luís. Ao todo, três espetáculos e uma instalação compõem a mostra de temática feminina, com elementos teatrais, dança e performance, fruto de pesquisa de personagens históricas ou literárias. Na próxima terça-feira (26), às 19h, será a vez de 'Safira', interpretada por Marina Corrêa. A entrada custa R$ 20,00 e meia-entrada R$ 10,00.

Em "Ofélia - Sem flores, sem rio, sem amor...", interpretada por Valda Lino, a donzela indefesa e sem voz, morta em plena juventude após enlouquecer pelo amor por Hamlet, convidou o público a refletir sobre os diversos papéis da mulher na sociedade e o equilíbrio entre tantas formas do amar.

Para a mostra 'Espelho', cada intérprete pesquisa e se envolve com a personagem para fazer o espetáculo, extraindo aquilo que ela sente de cada obra. O evento tem o apoio da Galeria Trapiche e é promovido pelo Núcleo Atmosfera, que nesta proposta faz o desfecho de um ciclo de obras com temática feminina experimentadas desde 2005. "A mostra traz um tema muito pertinente para os nossos dias, em cada espetáculo somos provocados a refletir sobre alguma questão, seja preconceito, amor próprio ou mesmo abusos. A Galeria, como equipamento municipal de cultura, também tem esse papel de provocar a sociedade através da arte e formar cidadãos melhores", destacou Camila Grimaldi, diretora da Galeria Trapiche.

 ESPETÁCULO

"É um solo autoral instigado pelo espetáculo 'As mulheres de Shakespeare', do Núcleo Atmosfera. Com a loucura fictícia do príncipe, Ofélia fica louca de verdade, o que nos faz relembrar tantas mulheres a nossa volta que são vítimas dos homens, fazem tudo por eles e abrem mão de sua própria felicidade. O espetáculo faz esse alerta para que as mulheres sejam felizes por elas mesmas, dialoga com a realidade de milhões de mulheres que são vítimas de abusos, espancamentos ou dependentes dos homens, e as convida para que se libertem e sejam protagonistas de sua vida", contou Valda Lino, que há dois anos estuda sobre Ofélia.

O próximo espetáculo será 'Safira', interpretado por Marina Corrêa, no dia 26. Na peça, ela é a meretriz que teve seu corpo usado, abusado e abandonado, assim como as janelas de um casarão colonial são carcomidas pelo descaso e despencam, se acabam. Mas, no labirinto dos poros desse corpo-casarão ainda reside uma força latente que grita, canta, dança e quer trazer a melhor maquiagem e o melhor perfume para reerguer pilares resistentes ao tempo e superar toda sorte de abandono.

O encerramento da mostra será no dia 28 com "Espelhos: uma instalação em movimento", que reunirá as intérpretes Rosa Ewerton Jara, Valda Lino e Marina Corrêa. A direção geral dos espetáculos é de Leônidas Portella, com direção artística de Luciano Teixeira e Samuel Moreira; produção de Júlia Martins; iluminação de Renato Guterres; operação de som de Samuel Moreira; fotografia de Gisa Bausch e Samuel Moreira; apoio técnico de Idalina Moraes e designer gráfico de Iramir Araujo.

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