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Atualizado em 21/10/2017 às 22h46

Equipamentos municipais de cultura celebram mês das crianças e Dia do Poeta com projeto literário

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Da Redação - Agência São Luís

Equipamentos municipais de cultura celebram mês das crianças e Dia do Poeta com projeto literárioEm outubro, as edições do projeto Literatura Mútua aconteceram de maneira especial nos equipamentos de cultura da Prefeitura de São Luís. A escritora maranhense Sharlene Serra, autora de livros infantis voltados para a educação inclusiva e para a proteção da infância particpou do evento na Galeria Trapiche. Já na Biblioteca Municipal o bate papo foi com os poetas Fernando Abreu e Lúcia Santos, em uma proposta diferente do que vinha acontecendo nas edições anteriores com apenas um convidado.

A pedagoga maranhense Sharlene Serra tem sete anos de carreira como escritora de livros infantis voltados à educação inclusiva e discute questões sociais, como o abuso e violência contra crianças. O carro-chefe de sua produção literária é a coleção 'Incluir', que é composta por títulos que contam histórias de crianças com deficiências visual ('Olhando com Ritinha'), auditiva ('Ouvindo com Vitória'), física ('Caminhando com Paulo') e Síndrome de Dawn ('Aprendendo com Biel'). Outros títulos da coleção estão em fase de finalização.

A autora explica que seus livros têm conteúdo pedagógico e são utilizados em projetos que incluem alunos da primeira infância ao Ensino Fundamental. "Eu abordo tanto a conscientização quanto a humanização das crianças, para que elas percebam que são diferentes entre si, mas que não são desiguais. Antes das palestras eu pergunto: 'Ritinha enxerga?'. No primeiro momento, eles falam que não. Depois da palestra, pergunto de novo e explico que ela enxerga sim, mas do jeito dela", esclarece.

Para Sharlene Serra, o projeto Literatura Mútua dá visibilidade ao escritor e permite ao público conhecer um pouco do caminhar dos autores. "Porque nada acontece assim da noite para o dia. Fazer e viver de literatura em São Luís é uma tarefa árdua e que, se o escritor não acreditar, o projeto dele morre no lançamento".

Além da coleção 'Incluir', a autora também publicou o livro 'Diário Mágico - Um segredo para contar', que fala sobre o tema abuso infantil. Em sua trajetória, Sharlene já participou de três bienais: São Paulo, Fortaleza e Recife. E vai fazer o lançamento da coleção em Curitiba no dia 28 de novembro.

DIA DO POETA

O Dia do Poeta foi comemorado na última sexta-feira, 20 de outubro, e a data foi celerada na Biblioteca Municipal com o projeto Literatura Mútua, tendo como convidados os poetas maranhenses Fernando Abreu e Lúcia Santos.

Os estudantes do Centro de Esino Estado do Amazonas ouviram atentos e participaram da roda de conversa literária, levantando várias inquietações e tirando dúvidas com os convidados sobre o universo da leitura e escrita.

"Já é a segunda vez que eles participam da roda de conversa juntos e dá muito certo, além de amigos, ambos tem muito em comum, principalmente a vida no interior do estado, a infância de muitas brincadeiras, a timidez quando crianças e como descobriram o gosto pela leitura, passando mais tarde a se reconhecerem enquanto poetas", ressaltou Talita Guimarães, idealizadora e mediadora do projeto.

Fernando Abreu viveu até os 13 anos em Grajaú e desde cedo disse ter vontade de ser escritor. "É possível cultivar a leitura sem perder as outras coisas da infância. Quando descobri a leitura, gostava tanto que lia tudo, de livros à bula de remédio. Tinha muitos sonhos que foram realizados na fase adulta, porque acreditei neles", contou.

Durante cerca de 10 anos ele editou a revista de poemas Uns & Outros, ao lado de outros integrantes da Akademia dos Párias, grupo que agitou a cena literária na capital maranhense entre o final dos anos 1980 e meados de 1990. Tem quatro livros de poemas publicados, sendo o mais recente 'Manual de Pintura Rupestre' (7 Letras, 2015). Antes vieram 'Aliado Involuntário' (Exodus, 2011), 'O Umbigo do Mudo' (Clara Editora, 2003) e 'Relatos do Escambau' (Exodus, 1998). Como letrista, tem parcerias com Zeca Baleiro, Chico César, Marcos Magah e Nosly, entre outros. Tem poemas publicados nas revistas Germina, Modo de Usar, Sibila, Poesia Sempre e no Blog do Antonio Cicero. No momento está concluindo sua nova coletânea, intitulada 'Um circo na periferia do real', que deverá sair em 2018.

Já Lúcia Santos, natural de Arari, desde a infância fazia versinhos e desenhava histórias. Aos 26 anos publicou seu primeiro livro de poemas 'Quase Azul Quanto Blue', com incentivo da Prefeitura de São Luís. Segundo ela, isso lhe deu mais confiança enquanto poeta, pois antes não sabia se seus escritos tinham algum valor para as outras pessoas. Seus pais eram professores, o que também a incentivou desde cedo à leitura, com seus cinco irmãos, entre eles o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro.

Em 1997, obteve o primeiro lugar no XXIII Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís, com o livro 'Batom Vermelho'. Em 1999 mudou-se para São Paulo. Em 2006 publicou seu terceiro livro de poemas, primeiro de haicais, intitulado 'Uma Gueixa para Bashô'. Participou de várias coletâneas de poesia, e tem seu nome no Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras, de Nelly Novaes Coelho. Ao lado de atores, músicos e poetas, roteirizou e apresentou os espetáculos de poesia: 'Batom Vermelho', 'Cordel Technicolor', 'Eros&Escrachos', 'Dentro da Palavra', 'Cochichos de Bruxa', 'Ménage à Trois', 'Papas na Língua', 'Companhia Ausente' e 'Versos sem Tarja'.

Como letrista, tem parcerias com Kleber Albuquerque, Kana Nogueira, Pedro Moreno, Adolar Marin, Clarissa Grova, Gabriel de Almeida Prado, Roberto Sampaio, Anderson Firpe, Zeca Baleiro, entre outros. Em 2016, lançou seu mais recente livro de poemas intitulado 'Nu frontal com tarja', pela Editora Reformatório.

Na oportunidade, os poetas falaram também da relação entre poesia e música, ressaltando que a poesia tem a ver com os sentimentos, a linguagem que vai diferenciar a forma. Eles relembram nomes de compositores brasileiros, enfatizando ser um país com grandes poetas nos livros e na música popular.

Como o público era de estudantes que estão decidindo sobre o futuro, a conversa explanou ainda sobre as profissões, colocando a poesia como uma condição escolhida dentro de outras profissões, como por exemplo, do escritor, o que não impede do poeta exercer outras atividades.

A estudante do 8º ano, do C.E. Estado do Amazonas, Milena Garcez foi uma das mais participativas na roda de conversa. Ela disse gostar de escrever poemas, começou recentemente, mas ainda não gosta de mostrar para ninguém.

Por fim, os convidados deram dicas para quem pretende escrever poesias, frisando a importância de expressar para outras pessoas algo que você sente, tendo a preocupação de não deixar algo tão pessoal que só faça sentido para você. Também realizaram sorteios de suas obras entre os estudantes e doaram algumas para compor o acervo da Biblioteca.

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