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Quarta-feira, 09/05/2018 - 19h08

Prefeitura de São Luís leva projeto sobre tambor de crioula para escolas da rede municipal

Punga de Saberes foi aprovado pelo Iphan e visa apoiar e fomentar a manifestação cultural através de ações educativas em escolas públicas do município

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Da Redação - Agência São Luís

Fortalecer o tambor de crioula entre os mais jovens é um dos objetivos do projetoReconhecido como Patrimônio Imaterial do Brasil, o tambor de crioula é uma expressão cultural com descendência africana considerada um referencial de identidade e resistência cultural dos negros, que envolve dança circular, canto e percussão de tambores. Como forma de valorizar este que é um dos maiores bens culturais do Maranhão, a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e Secretaria Municipal de Educação (Semed), em parceria com o Comitê Gestor de Salvaguarda do Tambor de Crioula e apoio do Conselho Municipal de Cultura (Comcult), abriram nesta quarta-feira (9) o projeto Punga de Saberes.

A primeira escola a receber as oficinas foi a U.E.B Ministro Mário Andreazza, no bairro da Liberdade, com atividades ministradas pelo Mestre Marcelo Silva, com a carga horária de 8h. Os estudantes puderam aprender sobre o que é a manifestação, o nome de cada instrumento usado, o papel de cada um na roda e fizeram a experiência de tocar a parelha e algumas toadas, além de esquentar o couro dos tambores. A tarde também teve oficina de dança com coreiras, que mostraram sobre o bailado e a punga ou umbigada – gesto característico, entendido como saudação e convite. A parelha vai ser doada para a escola para fazer parte de seu acervo.

O projeto, aprovado no Edital Nacional para Bens Registrados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), visa apoiar e fomentar o tambor de crioula, através de ações educativas, de formação e de transmissão de saberes tradicionais, disseminando essa manifestação cultural. Ao todo, serão atendidas 10 escolas da rede municipal de ensino, além de 60 professores e coordenadores pedagógicos e ainda três comunidades (Fé em Deus, Bairro de Fátima e Taim), com o Circuito Saber Fazer Cultural.

"A iniciativa ressalta a cultura popular tendo como protagonista uma das principais manifestações culturais maranhenses. Para nós é de suma importância fomentar o tambor de crioula nas escolas e comunidades de São Luís, por isso, buscamos locais onde a manifestação estava mais presente, na área urbana e rural, para que seja valorizada desde as crianças e para que elas possam se identificar com nossa cultura, se apropriando de algo que é nosso, fugindo de todo preconceito que possa existir", destacou o secretário municipal de cultura, Marlon Botão.

Para o secretário municipal de educação, Moacir Feitosa, as ações são voltadas para o fortalecimento da prática cultural em sala de aula nas suas mais variadas formas de expressão. "A transmissão dos conhecimentos para os estudantes, por meio das oficinas de tambor de crioula, promove o fortalecimento da nossa cultura, pois a partir desta ação, vão ser transmitidos saberes que garantirão o enriquecimento dos nossos estudantes", falou.

FORTALECIMENTO

Selma Sá, professora de educação física, frisou que o projeto vai ajudar a quebrar preconceitos. "A escola possui muitos projetos envolvendo diversas manifestações culturais maranhenses e os alunos sempre participam e mostram interesse. A maioria deles já tem uma vivência e conhecimento sobre o tambor de crioula, pois muitas famílias participam. Eu sou da comunidade, sou da Liberdade e também tenho vivência no tambor de crioula. Com o projeto iremos trabalhar o olhar livre de preconceitos por parte dos alunos, de seus pais e também dos professores, pois muitas vezes o preconceito vem por não conhecerem a manifestação".

A oficina foi ministrada pelo mestre de tambor de crioula Marcelo Silva. Segundo ele, projetos como este são extremamente importantes para não deixar morrer algo que é tão essencial para a cultura maranhense. "É também importante para desmistificar visões equivocadas que muitas pessoas podem ter sobre o tambor de crioula, achando que é algo negativo. É arte, é dança, é música, é nossa cultura de matriz africana que está sendo perpetuada para as próximas gerações".

A aluna Raissa Gonçalves, do 9º ano, a oficina ajuda a reforçar suas origens. "Eu já havia participado de tambor de crioula há alguns anos, mas havia parado, mas estou gostando muito de participar dessa oficina porque é importante conhecermos nossa cultura, conhecer de onde viemos".

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