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Sábado, 12/05/2018 - 08h19

Mostras na Galeria Trapiche da Prefeitura destacam protagonismo feminino nas artes visuais

'Divina Presença', de Silvana Mendes e 'Meu nome não é mãe', de Sunshine Santos, estão abertas à visitação até o dia 15 de junho, das 14h às 19h

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Da Redação - Agência São Luís

Mostra ‘Meu nome não é mãe’, integra exposição Ocupação Trapiche #07Duas mostras fotográficas inéditas foram abertas simultaneamente na Galeria Trapiche,equipamento cultural da Prefeitura de São Luís, com temas referentes ao mês de maio: Maternidade e Festa do Divino Espirito Santo. Ambas compõem a exposição Ocupação Trapiche #07. Tratam-se de 'Divina Presença', de Silvana Mendes e 'Meu nome não é mãe', de Sunshine Santos. A visitação está aberta até o dia 15 de junho, das 14h às 19h.

"Os trabalhos foram selecionados na Chamada Pública da Galeria Trapiche realizada em março de 2018, junto a outras cinco mostras, que serão expostos até dezembro. Escolhemos estas duas para iniciar a sétima edição da Ocupação Trapiche por se tratar de obras que têm a temática voltada para este mês, além de valorizar o protagonismo feminino nas artes visuais. Por isso, a programação paralela de abertura traz também, em sua maioria, trabalhos desenvolvidos por mulheres de São Luís, expostos e comercializados em uma Feirinha Criativa", ressaltou a diretora da Galeria Trapiche, Camila Grimaldi.

A programação de abertura contou com discotecagem de Gê Viana, degustação de comida detox da Casa Amora e comercialização de produtos na Feira Criativa com Lilian Avelar, Eva Braun, Street Style SLZ, Carla Souza, Glitey, Ana Aurea, Clara Vidotti, JURIBS, Era da Lua, Kaká Faria, Manjericão, Joy Brasilino, Hug.up, Maridage, Coletivo Linhas e Anulika.

O secretário municipal de cultura, Marlon Botão destacou as ações realizadas pela Galeria Trapiche em prol da arte local. "Nós, enquanto equipamento público da Prefeitura de São Luís, nos preocupamos em diversificar a programação cultural em nossos espaços, fazendo com que a cultura seja acessível a todos os ludovicenses, pois a política cultural é um direito humano. Ações como esta são realizadas ao longo de todo ano, movimentando o espaço da galeria e valorizando artistas locais".

Durante a Ocupação Trapiche #07, serão realizadas rodas de conversas e oficinas com temáticas sobre maternidade e cultura popular. Na próxima terça-feira (15), às 17h, acontece a roda de conversa "Mulher Negra na maternidade". No dia 23, às 18h, será a vez da roda "Divino Espirito Santo" e no dia 25 a roda "Meu nome não é mãe", também às 18h.

A oficina de pintura em lençol acontecerá nos dias 29 e 30 de maio. No dia 31 terá a oficina de Mandala. Também como parte da programação, de 4 a 8 de junho será ministrada a oficina de Fotografia, das 14h às 17h. No dia 6 de junho terá o debate "Autonomia feminina na produção artística", às 17h. O encerramento da exposição será no dia 15 de junho, às 18h.

Agendamentos para visitas guiadas com alunos podem ser feitos nas segundas e quartas-feiras, das 14h às 18h. Outras informações pelos números (98) 99193-4362 e 99143-2178, ou pelo e-mail: galeriatrapicheslz@gmail.com.

DIVINA PRESENÇASilvana Mendes, autora da mostra ‘Divina Presença’

A Festa do Divino Espirito Santo ocorre 50 dias após a Páscoa, sendo uma das mais fortes tradições culturais e religiosas do Maranhão. Rica em cores, canto, dança e resistência popular, o rito de forte simbologia inspirou a artista visual Silvana Mendes. "A exposição surgiu de uma forma bem espontânea, participei pela primeira vez do festejo em Alcântara e me encantei, então senti a necessidade de registrar aquilo. O nome 'Divina Presença' é justamente a descrição do que eu senti, algo Divino que me invadiu e que não é possível explicar com palavras", contou a estudante de Artes Visuais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e cofundadora do Dis Forme Coletivo.

As obras da mostra são impressas em lambe-lambe, técnica utilizada pela arte de rua. O lambe-lambe nada mais é do que cartazes utilizados para propagandas, divulgação de eventos e até mobilização política, impresso em papel com custo barato e que serve como veículo de rápida disseminação. "Já fiz outros trabalhos fotográficos com esse tipo de impressão, é trazer um pouco dessa arte perecível para dentro de uma galeria de artes, a arte de rua ocupando um equipamento público. A mostra é um trabalho de observação da cultura e de pertencimento dela, utilizando uma linguagem nova que é a Mobigraphia, em que as imagens são captadas e tratadas pelo celular", explicou Silvana.

As fotografias relatam o festejo de Alcântara e São Luís, trazendo o cortejo pelas ruas de pedra da cidade e as caixeiras. A Festa do Divino acontece em várias cidades do Brasil, como Pirenópolis (GO), Diamantina (MG), São Lourenço do Sul (RS), dentre outras, mas só no Maranhão há a presença marcante das caixeiras. Este ano, o festejo acontece em São Luís de 6 a 22 de maio, na Casa das Minas e de 9 a 20 de maio, em Alcântara.

MEU NOME NÃO É MÃESunshine Santos, autora da mostra ‘Meu nome não é mãe’

A autora Sunshine Santos, estudante de Turismo na UFMA, traz em sua obra uma crítica ao machismo, usando a figura da mulher grávida. Ela levanta questionamentos sobre a maternidade e a particularidade de cada gestação, buscando a quebra de estigmas dos padrões impostos pela sociedade e a forma romantizada que a maternidade é pregada.

"Eu sou mãe de gêmeos e vivi a gestação de uma forma, 10 anos depois tive uma nova gestação que foi totalmente diferente da primeira. Isso reforça o quanto cada fase e cada pessoa são únicas, não dá para pensarmos a maternidade como algo coletivo, padronizado, em que cada mulher tem que seguir certas regras ou vivenciar as mesma experiências das outras, porque isso não acontece nem com uma pessoa só, cada gestação é diferente da outra", contou.

Sunshine explicou que a maternidade ficou sacralizada, como se a mulher fosse um ser que não pode ter falhas. "A mulher é responsabilizada durante a maternidade por muitas coisas, tirando em algumas situações a própria responsabilidade do pai. Cria-se expectativas para ela, especulam o que ela tem que fazer ou sentir, como se fosse uma receita pronta de bolo. A exposição vem romper muitos estereótipos, desde a escolha de modelo para as fotos, que é a Yara Matos, uma mulher negra e que estava grávida de uma menina. Essa vertente também precisa de um olhar mais atento, pois até nisso a sociedade continua machista e preconceituosa".

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