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Sábado, 02/06/2018 - 09h21

Prefeitura de São Luís fomenta economia solidária com implantação de Ecopontos

Ecopontos aumentam em cerca de 600% renda de cooperativas;equipamentos contribuem para preservação do meio ambiente, promovem educação ambiental e incentivam geração de emprego

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Da Redação - Agência São Luís

Agentes de limpeza que trabalham nos Ecopontos fazem separação de materiais para entrega nas cooperativas de catadores

A implantação dos Ecopontos completou dois anos em São Luís com 10 equipamentos em pleno funcionamento. Desde a inauguração do primeiro – no Parque Amazonas, em maio de 2016 – mais de 14 mil toneladas de resíduos já foram recebidos e encaminhados para o reuso ou reciclagem. Mas outro lado importante desta política é a geração de emprego e renda para os catadores de materiais recicláveis de São Luís. Com a implantação dos Ecopontos, uma iniciativa da gestão do prefeito Edivaldo, o ganho dos rendimentos das cooperativas beneficiadas aumentou em cerca de 600%.

Atualmente, duas cooperativas recebem os materiais descartados nos Ecopontos pela população de São Luís: a Associação de Catadores de Material Reciclável de São Luís (Ascamar) e a Cooperativa de Reciclagem de São Luís (Coopresl). A Ascamar funciona em um prédio localizado na Rua São Pantaleão, cedido pela Prefeitura de São Luís. Já a Coopresl funciona dentro do Campus Dom Delgado, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio de uma cessão de área feita pela universidade.

O prefeito Edivaldo destaca que a implantação dos Ecopontos, além de ser uma importante política de limpeza urbana, também fortalece a cadeia produtiva de resíduos sólidos em São Luís. "Antes, todo este material que era jogado nas ruas e trazia uma série de problemas para a nossa cidade, agora contribui para a geração de emprego e renda, melhorando a vida de diversas famílias de São Luís. Este foi um passo importante que tomamos, por isso, vamos seguir implantando novos Ecopontos pela cidade para que cada vez mais pessoas sejam beneficiadas e tenham condições mais dignas de viver", disse o prefeito.

MELHORIA DE VIDA

Sebastião Conceição Lemos, catador

E o catador Sebastião da Conceição Lemos sabe muito o quanto sua realidade mudou com a implantação dos Ecopontos. Ele é um dos pioneiros da Coopresl, estando há quase 18 anos trabalhando como catador em São Luís. "Eu vim trabalhar como catador porque não tinha outras oportunidades de emprego. Graças a esse trabalho eu pude melhorar a casa onde moro e dar um pouco mais de conforto para a minha família. Com o material dos Ecopontos ficou mais fácil porque nosso dinheiro cresceu já que a gente tem mais material para trabalhar", afirma.

Em 2016, quando começaram a ser implantados os Ecopontos, a Coopresl coletava 55 toneladas mensais de materiais recicláveis, mas só tinha o aproveitamento de 50 toneladas mês. Com os Ecopontos, a coleta chegou a 110 toneladas mensais, com aproveitamento de material processado de 80 toneladas. A renda média bruta da cooperativa também aumentou. Antes a era de R$ 3.000,00 e cada cooperado recebia em torno R$ 300,00. Agora a renda média mensal bruta da cooperativa chega a aproximadamente a R$ 16.500,00, que equivale à renda média bruta por cooperado R$ 1.100,00.

A presidente do Comitê Gestor de Limpeza Urbana, Carolina Moraes Estrela, destaca que o aumento dos ganhos das cooperativas é um dos resultados positivos da política dos Ecopontos. "Antes da implantação do primeiro Ecoponto nós fizemos um trabalho com as cooperativas de São Luís para conhecermos a sua realidade e suas necessidades para avaliarmos a melhor forma de incluí-las nesta cadeia. Com a inauguração do décimo Ecoponto nós verificamos um aumento médio real de quase 600% na renda destas entidades, o que demonstra o sucesso desta política no fortalecimento da economia circular", disse.

O ganho certo propiciado pelos materiais recebidos nos Ecopontos dá às cooperativas de São Luís uma nova perspectiva de futuro. "Hoje, a Coopresl está em pleno crescimento. Desde o início de maio recebemos novos catadores e temos uma lista de pessoas interessadas que vão ser integradas à cooperativa, conforme estamos recebendo mais materiais e a Prefeitura nos dado melhores condições de trabalho", afirma Maria José Castro, presidente da Coopresl.

EMPREENDEDORISMO

Todo o material reciclável descartado pela população de São Luís nos Ecopontos é entregue gratuitamente às cooperativas pela Prefeitura de São Luís. Diariamente caminhões usados na coleta seletiva vão até os Ecopontos, recolhem os materiais e deixam nas cooperativas que agora podem usar seus veículos para fazer a coleta em outros pontos da cidade. Isto permitiu às cooperativas a diversificação dos seus negócios. Foi o que aconteceu com a Ascamar que agora, além de comercializar os materiais recicláveis que recebe, produz e revende produtos feitos a partir da reciclagem do óleo de cozinha recebido nos Ecopontos.

Na Ascamar funciona uma pequena fábrica de produtos de limpeza e higiene (sabão em barra e líquido, detergente e sabonete) feitos a partir da reciclagem do óleo de cozinha usado. O recebimento do produto foi iniciado com a inauguração do Ecoponto Residencial Esperança, em setembro de 2017. O equipamento foi o sétimo entregue em São Luís. Desde então, já foram recolhidos nos Ecopontos mais de 1.100 mil litros de óleo de cozinha usado. Com isso, a renda média bruta mensal da associação que era compreendida na faixa de R$ 6.000,00, em 2016, passou para R$ 10.500,00.

Maria José Nascimento, presidente da entidade, fala da importância da reciclagem não apenas para a melhoria de vida dos cooperados, mas também toda a sociedade. "Esse óleo de cozinha era todo descartado irregularmente e poluía os rios, podendo causar problemas para o meio ambiente e para nossa saúde. Então, nós começamos a recolher este óleo para a reciclagem. Com isso, a gente melhora não só a nossa vida, mas também protegemos a natureza", afirma.

Com dois anos da implantação dos Ecopontos e a comprovação do aumento da renda das cooperativas beneficiadas, Carolina Moraes Estrela destaca que é preciso tomar outras medidas que fortaleçam a economia circular. "Estamos estudando uma forma de fazer as cooperativas venderem os materiais que separam diretamente às recicladoras. Hoje, elas vendem para empresas que revendem para as recicladoras e acabam ficando com parte dos lucros que as cooperativas poderiam auferir. Então, é muito claro para nós que é possível, sim, aumentar ainda mais a renda dos cooperados", disse.

SAIBA MAIS
Por que as cooperativas são incluídas nesta política?

A cooperativas são incluídas neste sistema para que se possa trabalhar o desenvolvimento sustentável. Com isso, melhora-se a qualidade do meio ambiente, evitando a poluição da água, do solo e do ar. Além disso, é uma importante medida de inclusão que atende a todos os requisitos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010).

Além de garantir o sustento de suas famílias com a separação dos resíduos, os catadores prestam um importante serviço ambiental para toda a sociedade, na medida em que são os maiores responsáveis pela reciclagem no país. A PNRS atribui destaque à importância dos catadores na gestão integrada dos resíduos sólidos e por este motivo é preciso então integrá-los na cadeia da reciclagem e, dessa forma, promover a cidadania desses trabalhadores com inclusão social e geração de emprego e renda. Em São Luís esta integração é feita com os Ecopontos.

Números
Renda bruta mensal da Ascamar em 2016: R$ 6.000,00
Renda bruta mensal da Ascamar em 2017: R$ 10.500,00
Renda bruta mensal da Coopresl em 2016: R$ 3.000,00
Renda bruta mensal da Coopresl em 2017: R$ 16.500,00

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