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Quinta-feira, 31/05/2018 - 20h47

Inciativas culturais de São Luís participam de oficina de premiação federal em culturas populares

Evento contou com a presença de representantes de seguimentos culturais de todo estado, principalmente de bumba meu boi e tambor de crioula

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Da Redação - Agência São Luís

Participantes aprenderam sobre edital do Governo FederalO 6º Prêmio Culturas Populares: Edição Selma do Coco é a maior premiação da cultura popular em termos de valores e número de premiados concedida pelo MinC, desde 2007. O edital está aberto até o dia 13 de junho e visa premiar 500 iniciativas culturais espalhadas por todo país. Nesta quarta-feira (30), o Ministério da Cultura em parceria com a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), realizou uma oficina para apresentar o edital e orientar os grupos locais de como participar. A ofcina contou com a presença de representantes de seguimentos culturais de todo estado, principalmente de bumba meu boi e tambor de crioula, entre coletivos, instituições sem fins lucrativos e mestes.

"São Luís é rica culturalmente e temos certeza que com este incentivo iremos fortalecer ainda mais as expressões das culturas populares locais, além de permitir o intercâmbio com quem faz cultura popular em todo país, pois é um reconhecimento nacional. Outro ponto que consideramos de extrema importância é que serão premiadas iniciativas que não estejam mais em funcionamento, mas que já contribuíram e tem história cultural. Isso irá ajudar a resgatar iniciativas que estão inativas e que reconhecemos como importante para cultura da nossa cidade", destacou o secretário municipal de cultura, Marlon Botão.

O representante do MinC do Regional Nordeste, Dann Lacerda explicou que muita gente deixa de participar de editais por ter muitas dúvidas e estas oficinas são politicas adotadas para que torne os editais federais mais inclusivos. "Estamos rodando todos os estados do Brasil e conversando com quem faz cultura. Este edital é de premiação, não precisa de prestação de contas ou um projeto orçamentário, que é uma das coisas que dificultam a participação. O que queremos é conhecer o quê fazem, saber como estas iniciativas contribuem com a cultura em suas comunidades e a importância dessas expressões para a cultura brasileira".

Na oportunidade, foi explicada cada fase do edital e as mudanças que ele teve do ano passado para este. "Além da premiação ter dobrado, foram incluídas algumas categorias que antes não podiam participar. Outra mudança é o envio de documentação que antes era no final e agora é desde a fase inicial, para que ninguém se classifique e depois seja eliminado por conta de alguma pendência documental. É preciso ter atenção em cada fase para não ser eliminado em nenhuma delas. Neste momento, o principal foco é quanto ao prazo de inscrição que não será prorrogado, por conta de ser ano eleitoral e não temos como estender", esclareceu Dann Lacerda.

As inscrições podem ser feitas até 13 de junho, pela internet, na página http://culturaspopulares.cultura.gov.br/, pelo sistema Salic, ou via postal. O edital premiará iniciativas em cinco categorias: 200 prêmios para mestres e mestras (pessoa física); 180 para iniciativas de grupos sem CNPJ; 70 para pessoas jurídicas sem fins lucrativos; 30 para pessoas jurídicas com ações comprovadas em acessibilidade cultural; e 20 para herdeiros de mestres e mestras já falecidos (in memoriam). Cada iniciativa só podem se inscrever em uma única categoria.

 PREMIAÇÃO

Nesta edição, serão investidos R$ 10 milhões em 500 iniciativas que fortaleçam e contribuam para dar visibilidade a atividades culturais de todo o Brasil, como o cordel, maracatu, jongo, cortejo de afoxé, bumba meu boi, entre outras. Cada um dos premiados receberá R$ 20 mil, o dobro de 2017. Quem já foi premiado no ano passado, só poderá concorrer novamente em 2019. Como é o caso do Coletivo Cultural Boi da Juventude, de Miranda do Norte.

"Nós participamos da premiação em 2017 e fez toda a diferença para o nosso Coletivo. Com o prêmio conseguimos estruturar nossa sede e reinauguramos o Ponto de Cultura. É um espaço com acessibilidade e funcionando permanente para interação dos jovens, temos inclusive brincantes que são cadeirantes e transexuais. Não podemos participar este ano, mas em 2019 vamos nos inscrever com toda certeza, porque é uma grande ajuda para quem trabalha pela cultura em sua comunidade", contou Marcos Ronilson, membro da coordenação do Coletivo Cultural Boi da Juventude.

A coordenadora da Rede São Luís de Pontos de Cultura, Graça Souza, frisou a participação da Rede na Oficina. "A maioria do público faz parte da Rede São Luís de Pontos de Cultura e vemos isso como um dos ganhos deste primeiro ano do projeto, além do fortalecimento da cultura como um todo. A Prefeitura continua com a Rede e está com mais um projeto voltado para a cultura popular, que é o Punga de Saberes. Esta parceria com o MinC mostra a preocupação da gestão em estimular com que os grupos locais participem de editais federais e incentiva também para que nossa cultura se perpetue por outras gerações".

O bumba boi de Pindaré (sotaque da baixada) é um dos grupos que compõem a Rede São Luís de Pontos de Cultura e irá participar pela primeira vez de um edital federal. "Nosso grupo começou em 1960, em Pindaré, e há 30 anos funciona em São Luís, no Bairro de Fátima. Desde que nos mudamos para cá, nossa sede era pouco estruturada e com a premiação da Rede São Luís de Pontos de Cultura conseguimos fazer uma reforma total, comprar equipamentos e gravar nosso CD. Hoje nosso grupo está estruturado graças a este projeto da Prefeitura e nos incentivou a participar deste edital do MinC. Se formos premiados, iremos investir na quadra para ensaios e para beneficiar a comunidade onde estamos localizados", ressaltou Benedita Aroucha, presidente do Boi de Pindaré.

HOMENAGEM

Lançado em 27 de abril, em Recife (PE), o prêmio homenageia a cantora pernambucana Selma Ferreira da Silva, a Selma do Coco, falecida em 2015. Dona Selma do Coco, uma mulher negra e nordestina, inspira milhões de fazedores de cultura pelo país.

Nascida em 1929 na cidade de Vitória de Santo Antão, a cantora deixou como principal legado a sua contribuição para a consolidação do coco, ritmo típico do Nordeste brasileiro, como referência nacional, tendo gravado três CDs e participado de festivais internacionais nos Estados Unidos e na Europa, além de ter ganhado o antigo Prêmio Sharp, hoje Prêmio da Música Brasileira.

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