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Quarta-feira, 06/06/2018 - 14h44

Equipamento de cultura da Prefeitura discute a fotografia sob o olhar feminino em roda de conversa

Evento teve as participações das artistas Sunshine Santos e Silvana Mendes que estão em cartaz respectivamente com as mostras 'Meu nome não é mãe' e 'Divina Presença' na Galeria Trapiche até o dia 15 de junho

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Da Redação - Agência São Luís

Público acompanhou os debates sobre fotografia na Galeria TrapicheA produção fotográfica sob o olhar de mulheres para além do estereótipo do feminino foi a pauta da roda de conversa 'Mulheres na Fotografia', que ocorreu na terça-feira (5), às 17h, na Galeria Trapiche Santo Ângelo, equipamento de cultura da Prefeitura de São Luís, localizado na Praia Grande. O evento integra a programação da exposição Ocupação Trapiche #07, que é composta pelas mostras 'Divina Presença', de Silvana Mendes, e 'Meu nome não é mãe', de Sunshine Santos, em cartaz até o dia 15 de junho, com visitação das 14h às 19h.

A roda de conversa contou com a participação da artista e estudante de Turismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Sunshine Santos; da artista e estudante de Artes Visuais da UFMA e cofundadora do Dis Forme Coletivo, Silvana Mendes; da fotógrafa, pesquisadora e cineasta, Maria Thereza, e da ativista de direitos humanos e fotógrafa, Ingrid Barros. A mediação foi da professora de Comunicação Social da UFMA, Jane Maciel.

O evento iniciou com a discussão de que nos livros predominam o ponto de vista de homens brancos sobre a arte, predominantemente europeus e estadunidenses, levantada pela mediadora Jane Maciel. "O estereótipo do trabalho feminino na fotografia é harmonioso, delicado. E isso não é a realidade de muitas mulheres. Então, como pensar o papel da mulher na fotografia para além do clichê?", questionou.

Sunshine Santos, compartilhou que sofreu e ainda sofre preconceito. O pai da estudante é fotógrafo freelancer e se disponibilizou a ensinar a prática ao marido dela, mas nunca tinha visto nela um potencial para a fotografia. Então, ela começou a fazer um curso às escondidas e a família foi aceitando aos poucos.

"Hoje, meu pai ainda acha que a fotografia é uma distração para mim. Mas eu sempre quis encontrar um sentido para o meu trabalho e, quando me identifiquei como mulher negra, foi um boom na minha fotografia. Então, tenho pretensão de continuar com a militância sobre a mulher negra, escrevendo com a luz meus questionamentos e produzindo imagens sem ser invasiva", planeja.

EXPRESSÃO

Silvana Mendes conta que tem dificuldade de expressar as coisas por meio da fala, mas encontrou na fotografia uma forma de fazer isso. "Eu não sabia como explicar as sensações que tinha sobre a Festa do Divino Espírito Santo. Então, comecei a fotografar o evento tanto em Alcântara quanto aqui em São Luís. Não tinha a intenção de fazer uma exposição, foi algo que surgiu de forma espontânea e foi ficando mais sério. Foi gratificante quando a minha família, que é formada principalmente por mulheres, veio à exposição. Elas ficaram impressionadas que eu tivesse um trabalho fotográfico e que estivesse fazendo uma exposição", destaca.

Outro trabalho fotográfico é da ativista maranhense de direitos humanos Ingrid Barros, que gostava de manipular imagens desde cedo. Hoje, ela atua em coletivos e produz conteúdo para o website 'Sobre o Tatame'. "Faço registros de comunidades quilombolas e indígenas e busco com minhas produções fazer as pessoas sentirem empatia pelos que ali vivem. Sou formada em Direito e eu luto pela garantia dos direitos das pessoas que estão nas minhas fotos", explica.

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