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Quarta-feira, 27/06/2018 - 12h54

Galeria Trapiche realiza primeira exposição com pinturas de uma artista com deficiência mental

A mostra fica aberta à visitação até dia 20 de julho, de segunda a sexta, das 14h às 19h

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Da Redação - Agência São Luís

A artista Milena Vale Chiacchio, ao lado da mãe, e a pintura em óleo sobre tela intitulada ‘Salvação’

"É a minha primeira exposição solo e estou muito feliz de poder expor meus trabalhos. A pintura me acalma e me ajuda a socializar com outras pessoas", compartilha a artista Milena Vale Chiacchio, que possui deficiência mental e estreou na mostra 'Ocupação Trapiche #08', intitulada "Eu e/em meus primeiros passos". A abertura da mostra aconteceu na terça-feira (26), às 18h, na Galeria Trapiche Santo Ângelo. A Galeria é um equipamento de cultura da Prefeitura de São Luís, localizada na Praia Grande, em frente ao Terminal de Integração. A mostra fica aberta à visitação até dia 20 de julho, de segunda a sexta, das 14h às 19h.

"A Galeria Trapiche recebe pela primeira vez uma exposição feita por uma pessoa com deficiência intelectual. É uma forma de aliar arte, inclusão e acessibilidade. A arte é muito relativista, subjetiva, pessoas com deficiência podem e devem se expressar artisticamente", afirma a diretora da Galeria, Camila Grimaldi.

A exposição engloba sete obras de pintura em óleo sobre tela, que exprimem as percepções da artista sobre o que lhe cerca fisicamente e emocionalmente. A abertura contou com apresentação de Lucas Luciano Silva, 16 anos, deficiente físico que tocou teclado com os pés e fez embaixadinhas. Ele também pinta com a boca e os pés.

Desde pequena, Milena Vale Chiacchio desenha, mas somente em 2011, ela começou a fazer uma oficina de pintura na galeria Morada das Artes, no Centro Histórico de São Luís. A jovem tem 30 anos e já participou de mostras coletivas promovidas por seus professores na Casa do Maranhão, no Pátio Norte Shopping e atualmente na Associação Maranhense de Artistas Plásticos (AMAP), no São Luís Shopping. "Gosto de pintar paisagens e temáticas como fé e amor. Fui influenciada pela minha tia, que é pintora, e minha família me apoia", explica.

A família da artista compareceu em peso para prestigiar a estreia. A mãe de Milena, Serenília Vale, 56 anos, é assistente social e trabalha na Coordenação de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria Municipal de Saúde de São Luís. Ela afirma que a filha teve acompanhamento médico desde a infância, mas que, quando terminou o segundo grau, começou a ficar depressiva.

"Então, ela me pediu para fazer aulas de pintura. As aulas acontecem duas vezes por semana e temos um ateliê em casa para ela praticar. Soubemos da abertura do edital para a exposição por um sobrinho meu e ficamos muito felizes com a aprovação. Precisamos desse momento para discutir o acesso da pessoa com deficiência à arte", pontua Serenília.

O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Luís, Carlos Alberto Pimenta Chaves, foi convidado para o evento e pela primeira vez conheceu o trabalho da artista. "Fiquei emocionado. Perguntei de onde ela tira essa sensibilidade para transmitir sentimentos. Na arte, ela mostra a intelectualidade dela, isso é magnífico!", enfatiza.

CHAMADA PÚBLICA

A mostra foi selecionada na Chamada Pública da Galeria Trapiche realizada em março de 2018, junto a outros cinco trabalhos, que serão expostos até dezembro. Os critérios para seleção das propostas foram qualidade e contemporaneidade, relevância estética e conceitual, originalidade e adequação ao espaço físico pretendido. O principal objetivo da ocupação é atender à política cultural municipal que incentiva o fomento às artes visuais por meio de atividades de circulação de obras e intercâmbio do trabalho de artistas de diferentes regiões.

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