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Segunda-feira, 20/08/2018 - 15h01

Corpo de Salva-vidas da Prefeitura de São Luís reforça ações de salvamento e prevenção de acidentes

Equipes do município são compostas por profissionais que atuam nas praias Ponta d'Areia e Olho d'Água e são ligados à Guarda Municipal, vinculada à Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (Semusc)

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Da Redação - Agência São Luís

Corpo de Salva-Vidas atua na Praia Ponta d’Areia realizando salvamentos no mar e também em terraO Corpo de Salva-vidas da Guarda Municipal da Prefeitura de São Luís tem reforçado o trabalho nas praias da Ponta d´Areia e Olho d'Água. O período, apresenta marés mais altas devido aos fortes ventos e o sol é mais intenso, se estendendo até o mês de janeiro. O grupamento integra a estrutura da Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (Semusc). A equipe conta com estrutura de embarcação (lancha), equipamentos de reanimação, pranchas, colar cervical, talas moldáveis, materiais de primeiros socorros, nadadeiras, tubo de resgate e um conjunto de materiais flutuantes. Ainda, a torre de observação, que abriga o salva-vidas durante todo o movimento na orla, acompanhado as variações da maré, principalmente aos fins de semana, quando o fluxo de pessoas é maior.

Para o titular da Semusc, Heryco Oliveira Coqueiro, a missão deste profissional se destaca e tem sua importância por se configurar como um anjo da guarda da população. "Quem vai a este lazer tão democrático, que é a praia, muitas vezes está se divertindo sem atentar para situações de risco. Os salva-vidas estão lá, a postos e atenciosos para que a diversão seja a única protagonista, prevenindo, evitando e orientando sobre os riscos", pontuou.

"Geralmente, de agosto a janeiro a atenção deve ser maior. Nosso monitoramento e orientações aos frequentadores são mais constantes pelos riscos iminentes de acidentes no mar", reforça o coordenador do Corpo Salva-Vidas da Guarda Municipal, Edilson Menezes. Ele reforça a importância de manter as crianças sempre próximas; ao adulto, não avançar nas águas além do orientado e não ingerir bebida alcoólica em excesso; e a todos, terem atenção a águas-vivas e caravelas.

Estatísticas da Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania apontam que maioria das vitimas são jovens entre 11 anos e 15 anos. A maior parte envolve afogamentos, queimaduras por águas-vivas e caravelas – tanto adulto, quanto crianças – uso excessivo de bebidas alcoólicas, no caso de adultos, bem como o desconhecimento e desatenção à mudança das marés. 

O coordenador da equipe chama a atenção para o grande número de casos de crianças encontradas sem os pais ou deixadas muito próximas ao mar. "Sempre orientamos que tenham total atenção às crianças e observem para que elas não se afastem e se percam. É frequente sermos procurados por pais e mães desesperados por não saberem onde estão seus filhos. Toda a atenção é importante para evitar que ocorra um acidente fatal", diz.

 As atividades incluem salvamentos – mar e terra – atendimentos pré-hospitalar de primeiros socorros, recuperação de pessoas perdias, ações preventivas e educativas. As equipes também desempenham função policial atendendo ocorrências como brigas, agressões, furtos e realizam patrulhamento de área. Para esta missão, o efetivo possui fardamento diferenciado e treinamento específico.

Na torre, o salva-vidas utiliza ainda o binóculo para visão de maior alcance e rádio para comunicação com o efetivo que atua no monitoramento pela areia. Para se tornar salva-vidas, o candidato passa por concurso público e entre outros aprendizados têm aulas de Direito, defesa pessoal, curso de formação policial e guarda-vidas.

SALVANDO VIDAS

A nobre missão de salvar vidas é o trabalho diário da equipe que compõe o Corpo de Salva-Vidas da Prefeitura de São Luís. São profissionais com habilidades especificas para a função que vão além das ações de salvamento no mar. É uma função que requer controle emocional, preparação física e muita aptidão, avalia o coordenador do Corpo de Salva-Vidas da Guarda Municipal da Semusc, Edilson Menezes. "Costumo referenciar nosso trabalho ao lema da profissão, que diz que estamos a postos a qualquer hora, em qualquer tempo e com qualquer mar. Quem é salva-vidas, está por amor, por dom e comprometimento com a vida do semelhante", enfatiza.

O grupo tem registros importantes de resgate. Um dos casos, ocorrido dia 10 de agosto na praia Ponta d'Areia, resultou no salvamento de uma dona de casa, moradora de Olho d'Água das Cunhãs, que aproveitava a orla na capital. Ela se afastou mais de 1.500 metros mar adentro e não conseguia retornar. Os salva-vidas a avistaram e prepararam a equipagem de salvamento chegando ao ponto e garantindo a segurança da dona de casa até a chegada do Centro Tático Aéreo (CAT), que participou da operação.

O salva-vidas Georgival de Oliveira Bezerra, 55 anos, estava na ação. "Foi uma operação considerada de alto risco pela distância em que a pessoa estava. Mas, conseguimos agir rápido e tudo acabou bem", relembra. No dia 12 de agosto, dois casos mobilizaram as equipes. Na Praia Caolho, o resgate de um homem de 46 anos, que contou ainda com apoio de efetivo do Corpo de Bombeiros e do CTA; e de uma jovem que precisou de ajuda em um edifício próximo à praia da Ponta d'Areia. Ambas foram exitosas.

Em 30 anos de profissão, Georgival Bezerra disse já ter visto situações que acredita ter tido a intervenção de Deus. Uma que o marcou foi o salvamento de duas irmãs, na praia do Olho d' Água, há 22 anos. "Elas estavam em um grupo de excursão e se afastaram para nadar. Quando avistamos, já estavam se afogando. Nessa situação, é importante dar a devida segurança à vítima. As irmãs foram salvas e nos agradeceram. Foi gratificante". Para ele, a profissão veio como inspiração. "Sempre gostei e achava muito bonita a missão destes profissionais e pensava que iria ser um deles um dia. Estar aqui é uma missão divina e que me orgulha", ressaltou.

São 27 anos de profissão e José Orlando Mendes Lima, 48 anos, guarda na memória uma ocorrência de afogamento de um jovem que precisou ser reanimado. "Foi muito desesperador, mas deu tudo certo e após uma série de estratégias, o jovem voltou a si. Nada pode pagar a gratidão de uma pessoa salva. Isso faz com que, cada vez mais, a gente seja orgulhoso da nossa profissão", enfatizou.

O salvamento de um amigo foi o que marcou a carreira do salva-vidas Paulo Henrique Cabral Ramos. Filho de pescadores e criado nas águas da cidade de São José de Ribamar lhe fez perceber que ser salva-vidas era seu destino. "Eu nadava, muito bem, desde os nove anos de idade. Na época dessa situação, eu já tinha oito anos de profissão. A gente nadava com um grupo quando esse meu amigo teve uma câimbra e parou. Não conseguia se mover e lá ficou. Eu, que vinha por último, deparei com ele e de imediato retirei ele de lá. Até hoje ele me agradece e a amizade se fortaleceu ainda mais", conta emocionado Paulo Ramos.

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