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Terça-feira, 11/09/2018 - 16h14

Professores da Rede Municipal desenvolvem recursos pedagógicos para estudantes da Educação Especial

O trabalho foi resultado de um workshop, organizado pela Prefeitura de São Luís com o objetivo de fortalecer as ações desenvolvidas na área da Educação Especial

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Da Redação - Agência São Luís

O Jogo de Correspondência auxilia estudantes com deficiência visual, auditiva ou Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do trabalho desenvolvido em sala de aula pelos docentes da Rede Municipal, a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), realiza a cada semestre cursos de qualificação na área da Educação Especial. Como resultado dessa ação professores da Rede Municipal de Ensino desenvolveram peças prática que contribuem no processo de assimilação do conteúdo repassado aos estudantes com deficiência. O trabalho foi resultado de um workshop, organizado pela Semed com o objetivo de fortalecer as ações desenvolvidas na área da Educação Especial. As capacitações integram as ações do programa 'Educar Mais, uma iniciativa da gestão do prefeito Edivaldo.

"É essencial termos professores qualificados, desenvolvendo projetos em prol de um ensino regular inclusivo e ampliado, com soluções claras e sólidas para a aprendizagem em sala de aula. Trabalhar a inclusão na rede é uma das prioridades do atual governo", disse o secretário da Semed, Moacir Feitosa. Ele explica que são oferecidos cursos nas áreas de Libras, Braile, Educação Física Inclusiva, Soroban, e outros que visam cooperar com a melhoria da didática oferecida aos alunos da rede e promovendo a inclusão, que é ponto fundamental na concretização do Plano Municipal de Educação, aprovado há cerca de três anos na gestão do prefeito Edivaldo.

"Os cursos têm a perspectiva de desenvolver habilidades e competências nos estudantes com deficiências e também com características de altas habilidades ou superdotação, oportunizando um ambiente favorável ao crescimento de toda a classe estudantil", enfatiza Moacir Feitosa.

A última capacitação resultou na criação de um protótipo que pode auxiliar tanto quem tem deficiência visual, auditiva ou Transtorno do Espectro Autista (TEA); e de jogos temáticos criados como recursos pedagógicos de estímulo à linguagem e à interação social. O Jogo de Correspondência, que auxilia estudantes com deficiência visual, auditiva ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi criado pelo professor de Matemática Agláide Rocha dos Santos, da U.E.B. Rosália Freire, que foi um dos participantes do curso de Tecnologia Assistiva, oferecido no último semestre pela Superintendência da Área da Educação Especial (SAEE) da Semed.

A ideia do jogo surgiu há mais de 20 anos, e foi apresentada em uma feira de ciências; porém, agora, ele fez alguns ajustes e apresentou no workshop de conclusão do curso. O projeto piloto chama-se Jogo de Correspondência. O tabuleiro tem dois lados – do lado direito tem o nome de algumas frutas em braile e do lado esquerdo tem as frutas desenhadas em papel E.V.A.

O jogo começa quando o aluno escolhe o nome de alguma fruta que fica do lado direito; após a seleção, ele tenta acertar qual a fruta correspondente que fica do lado esquerdo. Ao acertar o nome e a fruta equivalente, duas luzes do tabuleiro acendem, indicando que o aluno acertou. O jogo finaliza quando o participante combina o maior número de acertos.

O molde é feito de isopor, por isso o professor pretende aperfeiçoá-lo em madeira e com oferecer mais funções. O professor, que deseja patentear a ideia, fala da emoção em saber que o recurso pedagógico criado por ele pode ajudar várias pessoas, e também fala das dificuldades encontradas no início da realização do projeto.

"No começo algumas pessoas me questionavam o porquê de eu estar desenvolvendo esse projeto. Então, respondia que esse projeto estava nascendo de uma inquietação, em fazer algo que pudesse incluir esses alunos, e a forma que eu encontrei foi essa. Hoje, essas mesmas pessoas me parabenizam quando olham o projeto pronto. É uma grande alegria e satisfação saber que, de alguma forma, estou fazendo a diferença na vida dos meus alunos", fala emocionado Agláide Rocha.

A ação piloto foi realizada com o aluno Álvaro Ramos Santos de 17 anos, estudante do 5º ano na U.E.B. Rosália Freire. O estudante possui deficiência visual e destacou que o projeto é interessante porque leva os alunos a desenvolverem outros sentidos e habilidades. "É difícil encontrar algo criado para nós que sofremos algum tipo de deficiência. Sinto felicidade em saber que o professor Agláide está nessa batalha junto conosco na tentativa de nos incluir e de criar recursos que, de alguma forma, melhorem os nossos outros sentidos, visto que temos deficiência em algumas das nossas percepções, no meu caso a visão", discorreu.

JOGOS TEMÁTICOS

As cursistas Ana Gray Melo de Mendonça, Aimée Braga Cortez Menezes, Dijany Moraes de Sena, Dinalva Silva, Gleyciane Moraes de Oliveira, Milena Almeida Pinto, Telma Maria Ferreira e Teresa Cristina Sousa Lopes desenvolveram, na U.E.B. João de Sousa Guimaraes, no bairro Divinéia, um projeto lúdico com o tema "O lúdico como estratégia de aprendizagem", para estudantes na faixa etária de 7 a 9 anos.

O recurso pedagógico desenvolvido foi inspirado nos jogos da copa do mundo. O objetivo da pesquisa era verificar as necessidades dos alunos observados, especialmente no que se refere à interação em grupo, em sala de aula, e no estímulo às habilidades dos estudantes nas atividades simples do dia a dia. Para isso, jogos temáticos foram utilizados como recursos pedagógicos, com o objetivo de estimular a linguagem e manter a atenção do aluno por maior tempo possível. Foram realizados vários jogos que proporcionam a criação de possibilidades para o avanço na sua aprendizagem como o "Jogo da Velha", a "Colagem das bandeiras em E.V.A." e o "Jogo da Memória", todos com objetos que fazem alusão a jogos de futebol.

Dentre os estudantes, Jadson dos Santos foi o aluno observado. Ele tem TEA leve e foi escolhido por ser um aluno novato na escola, inibindo, assim, qualquer tipo de interferência no resultado da pesquisa. Segundo a professora especialista em Educação Inclusiva, Aimée Braga, os resultados foram alcançados. "Houve melhora da atenção compartilhada do aluno e na socialização com os colegas em sala de aula. Podemos afirmar que chegamos a um resultado satisfatório da pesquisa, e ficamos felizes por perceber que trabalhar com o lúdico é uma estratégia de aprendizagem que pode fazer o desenvolvimento alcançar os níveis desejados", disse.

Após a apresentação no workshop, o projeto não parou e a professora tem ampliado o recurso pedagógico criando novos jogos e aumentando a participação dos alunos no uso dos recursos, além de realizar uma oficina com os pais para que eles aprendam a confeccionar os jogos, e possam brincar com os seus filhos em casa, para dar continuidade ao processo de entusiasmo e envolvimento dos seus filhos quanto ao melhoramento nas relações dentro e fora de casa.

EDUCAÇÃO ESPECIAL

Por meio dos cursos oferecidos - Braile, Autismo, Tecnologia Assistiva, Libras, Altas Habilidades, dentre outros - a gestão do prefeito Edivaldo fortalece as ações do Programa Educar Mais, no seu pilar Formação, qualificando docentes e priorizando a inclusão.

O titular da Semed, Moacir Feitosa, observa que as formações voltadas tanto para professores quanto para gestores e coordenadores pedagógicos são parte das ações do Programa 'Educar Mais', implantado na atual gestão, com o fim de ampliar e fortalecer a Educação no município de São Luís. 

Só no último semestre, mais de 250 professores foram capacitados. A nova turma, que iniciou dia 13 de agosto, teve mais de 200 educadores inscritos. As aulas acontecem duas vezes na semana, no prédio do Centro de Formação do Educador/Semed, na Alemanha.

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