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Segunda-feira, 10/09/2018 - 14h48

Programação do LAB SLZ discute até domingo (16) ocupação de galpões no Centro Histórico

Com atividades ligadas ao tema da inovação social urbana, objetivo do laboratório proposto pela pela Prefeitura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) é gerar diretrizes de uso para os Galpões do Complexo Santo Ângelo

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Da Redação - Agência São Luís

Programação do LAB SLZ busca criar caminhos para a construção do programa de requalificação dos galpõesA Galeria Trapiche e os Galpões do Complexo Santo Ângelo se transformaram em um espaço de encontro para que projetos e iniciativas de São Luís possam estar em rede e construir juntos ações para uma cidade melhor. Até domingo (16) estarão acontecendo várias atividades ligadas ao tema da inovação social urbana, com o objetivo de gerar diretrizes de uso deste espaço público. A ação faz parte do processo de revitalização do Patrimônio Histórico de São Luís pela Prefeitura e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Neste primeiro momento, o coletivo Translab.urb passará três semanas com uma programação de ativação com palestras, debates, oficinas, placemaking, urbanismo tático e escuta da população no LAB SLZ.

O processo busca criar caminhos a serem utilizados na construção do programa de requalificação dos dois galpões. A ocupação deste território com um Laboratório Urbano Efêmero durante 21 dias irá desenvolver o sentido de pertencimento e reconhecimento do próprio lugar, possibilitando a identificação de vontades e desejos coletivos para o codesenho de espaços e programas de interesse público e de uso comum por todos os moradores e visitantes. O intuito é melhorar a experiência coletiva nesta localidade, dentro do panorama de novas democracias, novas governanças, economia criativa e o cruzamento de artes, ciências e tecnologias (sociais), a partir de abordagens do design de processos cívicos participativos.

"Essa metodologia é interessante não só para a Galeria, como para a cidade toda. Estamos partindo primeiro de um laboratório de experiências com as pessoas que desenvolvem projetos aqui, que convivem com a cidade, para que quando os galpões sejam revitalizados, eles não se tornem apenas construções no meio da cidade sem um uso e nenhum pertencimento da sociedade por esse local. Então, quando começa desta forma coletiva, antes de ser colocado em prática, todo mundo ganha", destacou a diretora da Galeria, Camila Grimaldi.

A diretora explicou que do laboratório irão sair diretrizes para utilização deste novo espaço, pensando em cocriar uma cidade socialmente justa e ambientalmente viável para todos. "O trabalho de escuta, as atividades e reflexões a cerca do uso dos galpões irá nos dar orientações entre os vários experimentos deste processo, que irá possibilitar criar linhas para um programa de usos para dois galpões históricos. Pensamos em ter um espaço expositivo, mas com outras coisas atravessando este espaço, não só uma galeria como é atualmente. É um momento de encontro, de externar as ideias, de pensarmos juntas questões que atendam toda a população nos aspectos sociais, educacionais, culturais, artísticos e políticos".

Desde o dia 27 de agosto, a equipe do Translab.urb, de Porto Alegre – RS, tem desenvolvido o projeto LAB SLZ, visitando universidades de São Luís, atendendo a comunidade e desenvolvendo um trabalho com agentes urbanos locais – pessoas que se dedicam a processos de "fazer a cidade" –, como artistas, ativistas, líderes comunitários, integrantes de coletivos, estudantes, do governo, comerciantes, empreendedores, empresários e moradores. Neste período o Laboratório Urbano Efêmero está de portas abertas para toda a população, sempre a partir das 9h, contando com uma ampla programação de oficinas, palestras, mostras, debates e ativações na área externa.

MAPEAMENTO

Durante toda a obra será feito um projeto transversal permanente de mapeamento de iniciativas e projetos. "O que estamos começando irá ficar até o final do projeto de reforma. É uma maneira de levantarmos dados, uma cocriação de processo. Funciona como uma colcha de retalhos, de onde irá sair um relatório qualitativo de coisas que já existem, desejos e vocações de todas as soluções criativas que a população pode levantar. Isso será compilado e irá virar preceitos para uso e gestão deste espaço para um projeto de reforma. O mais interessante é que tudo é construído com a população. A ideia não é para transformar aqui em um museu ou um espaço com programação cultural, é que seja um laboratório que sirva para as pessoas colocarem suas ideias e façam com que saiam do papel", destacou Leonardo Brawl, um dos membros do Translab.urb.

A programação é composta por Falas Locais – Pecha Kucha, Galpão Aberto – Mesas Temáticas e Ativações e intervenções urbanas – Ocupa Pátio – Oficinas. O Fala Local é um espaço aberto para apresentações de forma rápida, compacta e descontraída. O objetivo é apresentar muitos projetos de diferentes temáticas em pouco tempo. Muito mais que apresentar todas as ideias de forma concisa, o intuito é criar um momento descontraído para visibilidade e criação de redes locais. Baseado no formato do Pecha Kucha, as apresentações contarão com microfone e projetor e cada um tem no máximo 6 minutos e 40 segundos para apresentar.

Já o Galpão Aberto são mesas temáticas para conversa aprofundada sobre assuntos relacionados com o desenvolvimento da cidade, ferramentas para uma nova democracia, modos de atuação cidadã com arte, ciências e tecnologias sociais. Na oportunidade são trocados conhecimentos e experiências sobre ferramentas e maneiras de produzir cidade.

A primeira semana foi chamada de Abertura e Acolhimento, em que foi aberto o espaço colaborativo para troca de experiências de quem queria apresentar seu projeto para a rede ou para compor a programação de atividades. O objetivo era conversar e alinhar o entendimento de como um laboratório urbano pode ajudar na construção de uma cidade melhor. Nela iniciou o Laboratório Urbano Efêmero aberto à comunidade, com Oficina com Stakeholders, criação de mural de expectativas, apresentação do projeto e do Translab.urb, introdução ao conceito de redes e Laboratórios Urbanos, Laboratórios Cidadãos com convidados internacionais e oficina de cocriação Que Laboratório queremos?.

GRUPOS DE TRABALHO

Foram formados grupos de trabalho contínuo, entre eles Arquitetura Efêmera / Derivas e Cartografias Afetivas / Urbanismo Tático. A Galeria também recebeu parte da equipe do coletivo Urbanismo Vivo direto de Buenos Aires (AR), que está trabalhando no Laboratório Urbano Efêmero e com uma ampla opção de atividades ligadas ao tema das cartografias e mapeamentos sensíveis.

Na segunda e terceira semanas foram abordados temas como o Reconhecimento e Ativação, com o Ativa Galpão e mesas temáticas, com discussões sobre Deriva, Cartografias Afetivas, Tecnologia Sensível, Exorcismos Urbanos e Narrativas Contemporâneas (tradição oral), Exploração Sensorial (caminhada), oficina de percepção do território com crianças, Reconhecimento do Território e Camada Sensível e oficina Construção de uma Camada Sensível.

Além disso, está programado para esta quarta e última semana discussões sobre Ativação Urbana, Placemaking, Urbanismo Tático, Arquitetura Efêmera Inflável, Guerrilla Drivein, Cocriação de Programa (economia direto do produtor, arte, música, cultura), Estratégia de divulgação e engajamento local, oficina Ativa Galpão (quinta, sexta e montagem no evento de sábado) e Evento de Ativação do Espaço Público.

A agenda inclui oficina de circo, crochê, mostra de cinema, entre outras atividades. Confira a programação em bit.ly/labslzprog. Mais informações no e-mail labslz.ma@gmail.com; telefone (98) 991432178 (p/ ligações, whatsapp, telegram, sms) ou redes sociais: @labslz (Facebook e Instagram).

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