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Segunda-feira, 08/10/2018 - 14h04

Prefeitura investe em ações de segurança à saúde do paciente e reduz infecções na UTI do Socorrão II

Por meio do programa 'Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil', do Ministério da Saúde (MS), desenvolvido pela gestão do prefeito Edivaldo e com assessoramento do Hospital Sírio Libanês, índice de infecções na UTI tem reduzido

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Da Redação - Agência São Luís

Ações implementadas pela gestão do prefeito Edivaldo têm contribuído para a redução de infecções na UTI do Socorrão IIA Prefeitura de São Luís reduziu em cerca de 50% a incidência de casos de infecções do trato urinário associada ao uso de cateter vesical em pacientes internados na UTI do Hospital Municipal de Urgência e Emergência Dr. Clementino Moura (Socorrão II). Esse é um dos dados positivos que já resulta da implementação do programa 'Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil', do Ministério da Saúde (MS), desenvolvido na unidade pela Secretaria Municipal da Saúde (Semus). O programa estabelece metas e iniciativas procedimentais visando à redução do índice de infecção nas unidades públicas de emergência do país. A ação integra a política de saúde da gestão do prefeito Edivaldo.

As ações implementadas no Socorrão II contam com o assessoramento de profissionais do Hospital Sírio Libanês. O objetivo principal do projeto é diminuir as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), o que tem sido feito pela adoção de medidas simples de prevenção, parametrizadas por uma metodologia proposta pelo Institute of Healthcare Improvement (IHI), instituição sediada em Boston, nos Estados Unidos, que fomenta a qualificação da gestão nos serviços de saúde, através do modelo de melhoria.

Os resultados positivos e as estratégias que resultaram na melhora dos indicadores na área, no Socorrão II, foram apresentados na última semana pelo Núcleo de Acesso à Qualidade Hospitalar (NAQH), no Congresso Internacional de Gestão de Serviços de Saúde, promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. O Núcleo responsável pela implementação das ações na área foi criado na gestão do prefeito Edivaldo.

REDUÇÃO DE INFECÇÕES

De acordo com o levantamento, antes da implantação do programa, o Socorrão II apresentava uma incidência de infecções por uso de cateter vesical em torno de 8.17 por paciente/dia. Atualmente, esse número caiu para 4.2, alcançando, em apenas oito meses, quase 100% da meta de 4.31 por paciente/dia, estabelecida para um período de 24 meses.

As iniciativas implementadas na unidade também já conseguiram baixar a densidade de incidências de infecções associada ao uso de cateter venoso central. Com a implementação das iniciativas visando à segurança do paciente internado na UTI da unidade, o Socorrão II apresentava uma densidade de incidência em torno de 12.05 por paciente/dia e hoje esse valor é de 5.68, sendo que a meta de redução desse problema na unidade é de 4.05, estabelecida para ser cumprida também no período de dois anos.

Outro dado positivo relativo à redução da incidência de infecções no Socorrão II diz respeito também à diminuição dos casos de pneumonia associada à ventilação mecânica. Anteriormente ao programa, a unidade registrava uma densidade de cerca de 10.87 por paciente/dia com esse tipo de infecção. Atualmente, esse número caiu para 8.05, sendo que a meta estabelecida para a diminuição desses casos é 4.96 por paciente/dia, em 24 meses.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Lula Fylho, a meta do programa é reduzir em 50% o índice de infecções na UTI do Socorrão II, em um prazo de 24 meses, e promover melhorias contínuas visando à redução das IRAS, que são consideradas eventos adversos relacionados à assistência, com indicação de notificação no Sistema Notivisa da Vigilância Sanitária.

"Estamos evoluindo positivamente para alcançarmos as metas de redução desses casos no tempo previsto, no Socorrão II. E como vemos, em apenas oito meses já conseguimos bater a meta de diminuição do número de infecção por uso de cateter vesical e reduzir significativamente a incidência de outros tipos de infecção. Isso é fruto de um criterioso trabalho desenvolvido na unidade pela gestão do prefeito Edivaldo com esse objetivo, o que inclui a execução de um plano de ações estratégicas, adotando medidas que fortaleçam a cultura de segurança nessa unidade de saúde", afirmou Lula Fylho.

AÇÕES ESTRATÉGICAS

Segundo a coordenadora do Núcleo de Acesso à Qualidade Hospitalar (NAQH), Manuela Veiga Dias, a redução significativa do índice de infecções associadas a esses fatores, na UTI da unidade, deve-se à execução de um plano de ações estratégicas que incluem medidas de fortalecimento da cultura de segurança naquela unidade de saúde. As iniciativas visam melhorar a segurança dos pacientes suscetíveis às infecções relacionadas ao uso de dispositivos utilizados nas UTIs, como cateter venoso central, ventilação mecânica e cateter urinário. A meta do projeto é reduzir as infecções causadas por esses diapositivos em pelo menos 50%, em um período de dois anos.

A diminuição do uso desses instrumentos na UTI foi considerada fundamental para redução do índice de infecção. Segundo a coordenadora, isso foi feito por meio da implementação de práticas, procedimentos e análises caso a caso para avaliar se o paciente preenche de fato os critérios para usar os dispositivos, como os que necessitam de ventilação mecânica, sedados e acamados, por exemplo.

Ainda conforme a coordenadora, com a implementação do programa a unidade já conseguiu também padronizar curativos, fixação de sonda no paciente e desenvolver melhores práticas relacionadas à prevenção de pneumonias associadas à ventilação mecânica e infecção de correte sanguínea.

Entre as iniciativas de prevenção também estão a implantação de protocolos como os de Cirurgia Segura, de Prevenção de Queda, de Notificação e Tratativa de Incidentes, de Identificação do Paciente, de Lesão por Pressão e de Prescrição Segura e a aplicação de uma avaliação da cultura de segurança no hospital.

O trabalho no Socorrão II é desenvolvido por equipes compostas por servidores da própria UTI da unidade, que desenvolvem ações voltadas ao controle e à prevenção das IRAS, entre eles médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeuta, entre outros profissionais. Para isso, foram formadas equipes e frentes de trabalho que planejam e executam ações para o aprimoramento da assistência prestada aos pacientes no cuidado intensivo.

As experiências exitosas desenvolvidas pela maior unidade de urgência e emergência da capital maranhense, e que resultaram também na melhoria do atendimento ao paciente internado na UTI da unidade, foram destacadas positivamente pela coordenadora do programa 'Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil' pelo Sírio-Libanês, Ethel Maris Schröder Torelly.

"As ações implementadas no Socorrão II estão sendo muito importantes para a transformação da cultura de segurança no hospital. Os trabalhos apresentados no congresso demonstram um forte engajamento para a mudança no cuidado em saúde. E este processo liderado pela direção da unidade tem sido disseminado aos profissionais da saúde que cuidam diretamente do paciente. A adesão às práticas propostas no programa 'Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil' estão sendo incorporadas da melhor forma possível pelo hospital e isto só resultará em melhoria no cuidado ao paciente com a redução de infecções em UTI, que é o objetivo principal desta iniciativa proposto pelo Ministério da Saúde, com o apoio do Hospital Sírio-Libanês. É de grande importância o compartilhamento destas práticas em atividades científicas como foi neste congresso", observou Ethel Maris Schröder Torelly.

EXPERIÊNCIAS

No evento, os técnicos do NAQH apresentaram seis experiências exitosas. Entre os profissionais que conduzem o trabalho no Socorrão II e que participaram do evento estavam a coordenadora do NAQH, Manuela Veiga; a gestora administrativa, Fábrica Cavalcante Rocha; a enfermeira responsável pelo time de infecção de corrente sanguínea, Sara Serra; o enfermeiro responsável pelo time de infecção urinária, Cesar Cipriano; a fisioterapeuta responsável pelo time de pneumonia, Raissa Estrela; e as responsáveis pelo time de inserção da família no cuidado, Jakeline Rebouças e Giselle Bayma.

Entre as ações exitosas implementadas no Socorrão II, apresentadas no congresso, estão o Processo Ronda de Liderança, por exemplo. A ação consiste na aplicação de um questionário, pela gestão da unidade de saúde, aos funcionários. O roteiro de perguntas é baseado em estudos acerca da segurança do paciente e da qualidade do cuidado. O resultado dos questionários gera um planejamento para a solução de possíveis problemas identificados durante a pesquisa.

"Foi excelente participar desse momento de compartilhamento de experiênciaS exitosas na área de segurança à saúde do paciente. Nossos trabalhos apresentados no evento foram muito elogiados e a maioria deles já era do conhecimento de alguns participantes, pois já havíamos apresentado algumas de nossas experiências em outros congressos. Práticas como a Ronda de Liderança são de vanguarda no Brasil e mais ainda na saúde, pois não existem artigos publicados a respeito e nós somos pioneiros nessa iniciativa", enfatizou a coordenadora do NAQH, Manuela Veiga.

Também foram apresentadas as ações desenvolvidas para inserção da família no cuidado do paciente. A iniciativa visa orientar os familiares sobre condutas pertinentes ao processo de internação, esclarecer dúvidas, estreitar a comunicação e ampliar a participação da família na UTI. A pesquisa apresentada no congresso aponta que 89,8% dos familiares aderiram à atividade que era feita por meio de rodas de conversa.

Também destacaram outras experiências desenvolvidas no Socorrão II da Avaliação da Cultura de Segurança; do Kanban como ferramenta de gestão de leitos e análise do perfil de pacientes; do estudo do perfil dos incidentes notificados; e do uso do modelo de melhoria como estratégia nas práticas de prevenção de infecções relacionadas à saúde.

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