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Quinta-feira, 23/05/2019 - 18h35

Prefeitura de São Luís abre exposição de graffiti com obras de artistas de 10 estados brasileiros

Exposição "Riscos & Rabiscos – Cores Urbanas", ficará em cartaz até junho na Galeria Trapiche e reúne obras de artistas do Maranhão, Piauí, Pernambuco, Ceará, Bahia, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal

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Da Redação - Agência São Luís

O grafiteiro Sid trouxe de terras baianas uma tela curiosa, a “Galinha Fritadinha do Rolê”Uma mistura de letras, formas, personagens e cores gravadas em 22 telas, frutos da mente criativa de grafiteiros de 10 estados brasileiros. Essa miscelânea representativa de trabalhos dos artistas contemporâneos do graffiti pode ser conferida pelo público na exposição "Riscos & Rabiscos - Cores Urbanas", que entrou em cartaz nesta quarta-feira (22), às 18h30, na Galeria Trapiche. A mostra integra a 13ª edição da Ocupação Trapiche, edital promovido pela gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior, e fica aberta à visitação até o dia 21 de junho, das 14h às 18h. A Galeria é um equipamento da Prefeitura de São Luís, coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult), e está localizada na Praia Grande, em frente ao Terminal de Integração.

A exposição é um fragmento do Encontro Nacional de Graffiti "Riscos & Rabiscos", que acontece desde 2012, organizado pelo Coletivo de Graffiti Vírus Urbano, com uma linguagem que se aproxima mais da juventude. A diretora da Galeria Trapiche, Camila Grimaldi, afirma que está com uma boa expectativa de visitação de público para esta que é a primeira exposição só de graffiti do equipamento de cultura. "Todo encontro de artista, todo momento que eles param a fim de olhar para o próprio trabalho contribui para a formação de plateia, novos artistas e atrai influenciadores. Cada artista tem a sua identidade e eles não andam só, atraem público de projetos sociais, comunidades e outros espaços em que atuam", explica.

As obras trazem elementos pictóricos apresentados por grafiteiras e grafiteiros dos estados do Maranhão, Piauí, Pernambuco, Ceará, Bahia, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal. Estão expondo os artistas maranhenses Edi Bruzaca, Gudo Soares, Gil Peniel, Cassiano Estevão, Júlia Monteiro, Kdin, BNK, WBS, NSW, Carlos Caju e Smolk. Completando o time de expositores, Tenxu, de Juiz de Fora (Minas Gerais), Musgo (Goiás), Mils, de Fortaleza (Ceará) e Sid, de Lauro de Freitas (Bahia), totalizando 22 telas.

Este último, o grafiteiro Sid, trouxe de terras baianas uma tela curiosa, a "Galinha Fritadinha do Rolê". O inusitado da personagem se refere à sua estética infantil e ao trocadilho com uma ave que faz sucesso entre a criançada, a Galinha Pintadinha. "A Galinha Fritadinha é uma criação minha e eu pintei essa tela exclusivamente para esta exposição. Uso laranja, brilho, branco e muitos detalhes. Nas minhas obras, o meu objetivo é que a pessoa pare e veja os detalhes. Além disso, gosto de saber que a personagem agrada mais crianças que adultos, inclusive foi ouvindo as impressões da criançada, que defini que a ave seria uma galinha", explica.A grafiteira maranhense Júlia Monteiro pintou a tela “Ancestral”, com a temática da mulher negra 

A exposição "Riscos & Rabiscos - Cores Urbanas" apresenta duas grafiteiras, entre elas, a maranhense Júlia Monteiro que trouxe a tela "Ancestral". O trabalho dela apresenta uma estética de improvisação e representa a mulher negra, corpos não normativos, com os elementos berimbau e a planta espada de Oxóssi. "Na cultura africana, a mulher toca o berimbau e também faço referência às religiões de matrizes africanas. A participação feminina no graffiti existe e cada vez cresce mais, com encontros realizados anualmente em vários estados brasileiros", pontua.

O graffiti é um dos elementos do movimento hip hop e apresenta cinco estilos macros: throwup (letras mais arredondadas), wildstyle (letras entrelaçadas), freestyle (livre), 3D e personagens, que por sua vez possuem subdivisões. Além da pintura em paredes ao ar livre, utiliza também outros suportes como tela, lona, garrafa, lata e etc. A pintura, originalmente, era feita com spray, mas, hoje em dia, utilizam-se também caneta e stencil para fazer os detalhes.O grafiteiro Edi Bruzaca ao lado da sua tela ″Mundo entre Traços″, que faz parte da exposição

Edi Bruzaca é grafiteiro profissional, integrante do coletivo Vírus Urbano e tem duas telas como parte da exposição. "O graffiti é uma arte libertária que vem da rua, mas vai para outros espaços. Ela bebe em todas as vertentes artísticas e adquire também aspectos locais, cada estado brasileiro tem uma linguagem própria, mas sem rótulos definidos. As minhas obras passeiam no surrealismo e uso muito o lúdico, com elementos como casas pequenas e coloridas", destaca.O artista Gil Peniel é também maranhense e pintou a tela “Mãe Natureza”

Outro destaque da mostra é o artista Gil Peniel, também maranhense, que pintou a tela "Mãe Natureza". No começo de 2018, ele sofreu um acidente de trânsito e perdeu parte da perna direita. "A pintura apresenta uma personagem negra, representando uma divindade, que tem uma perna de madeira. Este último detalhe se refere a pessoas com deficiência como eu, que por causa disso tendem a se isolar e perder a vontade de viver. A tela é para que nós nos sintamos representados", revela.

O carpinteiro Antonio de Jesus Borges veio com a esposa Claudinete Silva Borges e os dois filhos, Davi e Daniel, prestigiar a exposição. Antonio faz parte da cultura hip hop, como cantor e locutor de eventos. "Gil e Edi, que participam da mostra, são meus amigos. E a gente se ajudando em eventos como esse, o movimento cresce. O graffiti fala por meio dos muros, reflete o que a gente não vê no dia a dia. Infelizmente, ainda é marginalizado. Mas o graffiti é arte", defende.

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