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Quinta-feira, 20/06/2019 - 10h28

Prefeitura de São Luís, Governo do Estado e Iphan celebram Dia Nacional do Tambor de Crioula com programação especial

Evento foi em alusão ao dia 18 de junho, Dia Nacional do Tambor de Crioula; programação teve como objetivo divulgar e fortalecer a manifestação genuinamente maranhense

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Da Redação - Agência São Luís

Prefeitura de São Luís, Governo do Estado e Iphan celebram Dia Nacional do Tambor de Crioula Uma programação especial promovida na Casa do Tambor de Crioula - Centro Histórico, em parceria entre a Prefeitura de São Luís, Governo do Maranhão e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Dia Nacional do Tambor de Crioula - 18 de junho. A data foi estabelecida pela Lei nº 13.248 de 12 de janeiro de 2016. O tambor de crioula é uma expressão genuinamente maranhense e reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro desde 2007.

Na oportunidade, o secretário municipal de Cultura, Marlon Botão, assinou a cessão da obra "Mãos de Mestre Felipe", que ficará por cinco anos em domínio da Casa do Tambor de Crioula, espaço vinculado à Secretaria de Estado da Cultura (Secma). "É um momento histórico, de grande relevância para o segmento do Tambor de Crioula. Esta parceria selou hoje a cessão da obra de Mestre Felipe, que tem uma repercussão nacional e internacional. Mais do que celebrar o registro como bem imaterial, queremos que o Tambor saia da invisibilidade, se perpetue e se fortaleça cada vez mais. Ações como essa reforçam o trabalho desenvolvido em conjunto para preservação da nossa cultura popular", destacou.

A programação iniciou pela manhã com apresentação de vídeos e filmes no Cine Tambor, comentado por especialistas da área. Em seguida, ocorreu a palestra 'Salvaguarda do Tambor de Crioula', ministrada por representante do Iphan. A tarde, a Secretaria Municipal de Cultura apresentou o projeto 'Punga de Saberes', ação da Prefeitura de São Luís, por meio das secretarias de Cultura e Educação, em parceria com o Comitê Gestor de Salvaguarda do Tambor de Crioula e apoio do Conselho Municipal de Cultura (Comcult).

O projeto, aprovado no Edital Nacional para Bens Registrados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), teve o objetivo de apoiar e fomentar o tambor de crioula, através de ações educativas, de formação e de transmissão de saberes tradicionais, disseminando essa manifestação cultural. Ao todo, foram atendidas 10 escolas da rede municipal de ensino, além de 60 professores e coordenadores pedagógicos e ainda três comunidades (Fé em Deus, Bairro de Fátima e Taim), com as etapas 'Circuito Saber Fazer Cultural' e 'Entre Gerações'.

"O projeto foi um despertar, cada escola participante irá receber uma parelha de tambores e fizemos a formação com os professores justamente já pensando na continuidade de levar o Tambor de Crioula para os alunos da rede pública. A etapa das escolas foi a mais desafiadora e a que tivemos uma melhor recepção, cada mestre que foi teve uma aceitação mais surpreendente, os adolescentes se interessavam pelas diferentes linguagens artísticas presentes no Tambor. Conseguimos desmistificar também toda a questão religiosa e os preconceitos, fazendo com que eles aceitassem e se identificassem com aquilo", contou Leury Monteiro, uma das coordenadoras do 'Punga de Saberes'.

O argentino Ariel Gastón, de 42 anos, está morando há duas semanas em São Luís. Ele já residiu em vários países da América Latina e cidades brasileiras. "Eu sou um amante da cultura popular e acredito que aqui é uma das maiores riquezas que vocês têm. Desta maneira é importante ser patriota, no sentido de defender e preservar sua cultura. O projeto é louvável, pois ajuda a levar isso para dentro da comunidade escolar, geralmente só temos este acesso nas ruas. Isso ajuda a quebrar preconceitos e formar pessoas com outros valores, para que entendam sua história, fortaleçam este sentimento de pertencimento e cuidado com o outro", destacou.

As rodas de conversa renderam boas partilhas e trocas de experiências. As professoras Cidinalva Neris e Katia Regis, da graduação em "Estudos Africanos e Afro-Brasileiros", da UFMA, levaram seus alunos das disciplinas 'Memória, patrimônio e identidade' e 'Eixo interdisciplinar, políticas antirracistas no mundo' para participar da programação. "Nós somos a primeira licenciatura do Brasil que tem como foco a formação de docentes para atuarem na educação básica, fundamental e média com ênfase na cultura e história do continente africano. Reforçamos muito que a cultura popular, hoje em especial o Tambor de Crioula, não uma dança por uma dança, ela tem uma história que nos ajuda a compreender a nossa própria história, por isso é tão importante estarmos nestes espaços para entendermos o porquê se dança, perpassar o saber e produzir conhecimento", explicou Cidinalva Neris.

A programação também contou com apresentação dos mediadores da Casa do Tambor de Crioula, que falaram sobre o intercâmbio entre o Tambor de Crioula e Batuko, manifestação cultural de Cabo Verde, na África. Além disso, foi lançado o DVD da 'Salvaguarda do Tambor de Crioula' e CD com registro de toadas, pela Secretaria Estadual de Cultura (Secma). A programação encerrou com apresentações dos grupos de Tambor de Crioula Proteção de São Benedito do Anjo da Guarda, Amor de São Benedito da Fé em Deus e Tambor de Leonardo. Durante todo o dia, os visitantes puderam prestigiar ainda a exposição identitária com informações feitas por atividade formativa.

SAIBA MAIS

O bailar das saias das coreiras, o bater das parelhas, o rufar dos tambores, cantos e movimentos circulares, traz religiosidade e homenageia São Benedito. A manifestação não se trata apenas de uma dança folclórica, é carregada de significados e tem rituais para iniciar e encerrar, para se vestir, formar a roda, aquecer os tambores para afinar, e entre outros. Envolvendo dança circular, canto e percussão, o tambor de crioula tem sua origem ligada à resistência cultural dos negros vindos de diversas regiões africanas, a partir do século XVIII.

Não se sabe ao certo quantos grupos se tem no Estado, em decorrência de cada ano surgirem novas manifestações da dança. Só na Grande São Luís, atualmente, há cerca de 110 grupos, alguns com meio século de fundação. A manifestação está em processo de revitalização do título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, com um projeto de salvaguarda.

Os mestres e mestras se caracterizam por sua postura dentro das comunidades, pela sua vivência e experiência cultural. Geralmente são os que sabem de tudo um pouco, como tocar, cantar e produzir os instrumentos. Mas, isso não é regra. O mais importante é dominar um saber, como o da dança, do toque ou do canto, e conseguir repassar isso ao longo das gerações.

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