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Segunda-feira, 21/10/2019 - 14h02

Acessibilidade e inclusão são destaque da 13ª Feira do Livro de São Luís promovida pela gestão do prefeito Edivaldo

Encerrado no domingo (20), este ano o evento ampliou suas ações de promoção voltadas para pessoas com deficiências que somam-se a outras implementadas pela gestão do prefeito Edivaldo com foco na inclusão social

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Da Redação - Agência São Luís

Intérprete de Libras acompanha lançamento de livro na 13ª Feira do Livro de São LuísA 13ª Feira do Livro de São Luís encerrou no domingo (20) deixando como legado, além do incentivo à leitura, a apresentação de várias atividades lúdicas, peças teatrais, lançamentos de livros, rodas de conversa e debates abordando temas importantes para a sociedade atual, relacionados à acessibilidade e inclusão. Este ano, o evento ampliou suas ações sobre a temática, se preocupando em promover inclusão em toda estrutura do local, na programação e até na formação dos monitores. As ações somam-se a outras implementadas pela gestão do prefeito Edivaldo Holanda Junior que tem como uma de suas bandeiras a inclusão social. 

O secretário municipal de Cultura, Marlon Botão, destaca que a Feira do Livro se consagrou como um momento multicultural, em que diversas linguagens artísticas estão presentes, como teatro, música, contação de histórias, lançamento de livros e cinema, todas disponíveis a todos públicos, inclusive às pessoas com deficiência. “2019 foi mais um ano de muito êxito na realização da FeliS, com uma sucessão de atividades culturais destinadas a todos os segmentos da população, em prol do conhecimento e empoderamento das pessoas em relação ao livro, literatura e o saber em geral. Milhares de pessoas participaram nesses 10 dias, com volume de comercialização muito significativo e diversidade cultural, que faz da Feira um dos maiores eventos literários do Norte e Nordeste”, pontua.

Uma das novidades foi o Espaço Sensorial, que ofereceu uma série de atividades que permitiram aos visitantes entender um pouco do universo das pessoas com deficiência. No espaço teve exposição de Língua Brasileira de Sinais (Libras), com mini oficinas e explanação da história da Libra, objetos em Braile como o ábaco, máquina de escrever em braile e entre outros. A programação do evento também foi impressa em Braile. Segundo a professora da área de deficiência visual, Denise da Silva, o objetivo do espaço foi mostrar que a pessoa com deficiência pode estudar e participar de atividades culturais mesmo com as dificuldades.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) trouxe as Salas de Recurso das escolas municipais, abordando a educação especial para despertar o interesse no público da FeliS. Quem participou das atividades pôde conhecer mais sobre acessibilidade atitudinal - que se refere a uma educação construída sem preconceitos, estigmas, estereótipos, discriminações em relação às pessoas com deficiência - usando recursos especiais para estimular os sentidos do tato, visão e olfato.

Já o Espaço Vale ofereceu a programação com a utilização do recurso audiodescritivo, que amplia a compreensão para pessoas com deficiência visual. No local, o visitante também podia ouvir curiosidades narradas com apoio de imagens ilustrativas, como sobre o Largo do Carmo, ponto turístico da capital. O estande foi estruturado com rampas de acesso para pessoas com deficiência motora.

Durante todos os 10 dias de programação, a 13ª FeliS teve a participação de grupos escolares e visitantes com deficiência, como foi o caso da visitação de mais de 20 crianças autistas – que fazem parte do projeto de assistência social da Defensoria Pública do Maranhão. Eles participaram de atividades no Espaço Criança Semed II - Ensino Fundamental. “Aqui as crianças tiveram acesso a brincadeiras, jogo de dama, pintura facial, contação de histórias, jogo de lego, entre outras atividades. O objetivo foi que elas se sentissem a vontade para brincar e se divertir”, explicou a coordenadora do espaço, Conceição Carvalho. Segundo ela, o local foi pensado para atender todos os tipos de crianças, assim como o restante da Feira.

Além dos espaços inclusivos, a Feira teve também o apoio de profissionais interpretes de libras, presentes em palestras, conferências, oficinas, espetáculos e lançamentos de livros. O treinamento dos 80 monitores, antes do início da FeliS, foi sobre Acessibilidade Aplicada, para prepara-los para melhor receber os visitantes. A formação foi ministrada pela assessora especial da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e Secretaria Adjunta de Pessoas com Deficiência, Alessandra Pajama, que também coordenou um dos projetos que recebeu a Extensão FeliS, o Inclusive Praia, realizado na manhã do domingo (20). O projeto consiste na inclusão do lazer para todos e possibilitou um tempo de apreciação e divertimento na praia para pessoas com deficiência.

PROGRAMAÇÃO INCLUSIVA

A 13ª Feira do Livro de São Luís contou com diversas atividades relacionadas à acessibilidade e inclusão. Uma das atrações foi o lançamento do livro ‘A Cigarra Autista’, da compositora, cantora e escritora, Anna Torres. Lançado em parceria com o renomado escritor Márcio Paschoal, o livro conta com um CD com o texto narrado e músicas. A história também ganha uma adaptação em musical, que será apresentado no Teatro Arthur Azevedo, nos dias 26 e 27 de outubro, às 17h. A fábula da “Cigarra e a Formiga” será recontada de maneira lúdica, mas ao mesmo tempo realista.

O espetáculo traz a Cigarra como uma portadora de autismo, que não é apenas uma grande cantora, mas também uma grande trabalhadora. Nele será abordado a importância do amor, da ética, da tolerância e inclusão dos autistas nas relações humanas. O objetivo é sensibilizar as pessoas e levantar o debate em torno do autismo, além de incentivar os próprios autistas e familiares a lutarem pelos seus sonhos e superarem desafios.

Idealizadora do projeto, Anna Torres destacou que um dos principais motivos para a realização desse livro foi o diagnóstico da sua filha em Transtorno do Espectro Autista (TEA). “O projeto nasceu por uma necessidade, precisávamos debater sobre o tema. Abordamos vários pontos muito importantes para a sociedade atual, desde o respeito, a preservação do meio ambiente, quanto a realização e luta dessas pessoas por seus sonhos, profissionais e pessoais”, ressaltou ela.

Atualmente, a escritora mora na França e o projeto será publicado em forma de livro e musical em diversos idiomas, como português, inglês e francês, e publicado em países como Espanha e China. O lançamento oficial do livro na 13ª FeliS e o espetáculo em São Luís abrem a temporada de circulação no Brasil.

Sobre o autismo, existe uma alta incidência em todas as regiões do mundo, porém a falta de entendimento sobre o transtorno tem forte impacto nos indivíduos, suas famílias e comunidades. Com causas ainda incertas, o TEA não tem cura, mas o diagnóstico e intervenção precoces são imprescindíveis para aumentar as chances de desenvolvimento de habilidades cognitivas importantes para a vida de uma criança com esse tipo de transtorno. A produção de materiais educativos e interativos para o entendimento desse fato por parte da sociedade, é estimulado pela Prefeitura de São Luís e pela organização da Feira do Livro.

ESTUDANTES

Nos 10 dias de funcionamento, a FeliS reuniu um grande público, inclusive muitos estudantes. Foram registradas as presenças de alunos de escolas municipais, estaduais, privadas e instituições de 14 municípios do interior, que bateram recorde de público nesta edição do evento. 

A Feira do Livro recebeu agendamento de visitas de 114 escolas municipais, 29 estaduais, e 56 privadas, além de caravanas de 16 escolas dos municípios de Anajatuba, Axixá, Bacabeira, Icatu, Itapecuru Mirim, Morros, Paço do Lumiar, Pedreiras, Raposa, Rosário, Santa Inês, Santa Rita, São José de Ribamar, Vargem Grande e Viana, totalizando 215 instituições participantes e mais de sete mil estudantes envolvidos durante os 10 dias de programação.

A coordenadora do evento, Rita Oliveira, ressalta que o número de escolas que visitaram esta edição aumentou em comparação com o ano passado. “A gente teve um número maior de escolas visitando a FeliS, foram 215 acompanhadas com monitor. Ano passado foram menos de 150. Recebemos muitas escolas estaduais e particulares, além de instituições do interior”, informa.

A 13ª edição da Feira do Livro trouxe o tema “O Brasil Atemporal na Obra de Aluísio Azevedo”, tendo como patrono o escritor maranhense Aluísio Azevedo e, como homenageados, a professora, geógrafa, historiadora e engenheira agrônoma Rosa Mochel e o primeiro repórter fotográfico do Maranhão, Dreyfus Azoubel.

Sobre o patrono e homenageados, a coordenadora Rita Oliveira revela que se surpreendeu com as atividades realizadas durante o evento. “Teve trabalhos das escolas que vieram tratando do Aluísio, lançamento de concurso sobre o patrono que vai acontecer nas escolas, rodas de conversa e lançamentos de livros relacionados aos homenageados. Acho que o tema deste ano foi bem compreendido e os nomes escolhidos como patrono e homenageados são importantes e merecem aplausos da sociedade ludovicense”, enfatiza.

O local perfeito para um passeio familiar pelo mundo da leitura, a Feira do Livro recebeu a visita da fisioterapeuta Tassia Neres Castelo Branco e de suas sobrinhas Sofia Uchôa Campos Neres, de 14 anos, e Julia Neres, de 4 anos, no último dia de programação. “Viemos prestigiar o lançamento do livro ‘Rodolpho, o gato branco de olhos azuis’, das escritoras Francinete Braga Santos, Conceição Castro e Talita do Monte, esta última é piauiense e minha cunhada”, explica.

Estudante do Colégio Educallis, Sofia fala que gostou de visitar a Feira e aproveitou para comprar livros. “Eu gostei muito porque a gente viaja na imaginação, aprende mais, adquire mais conhecimento. Gosto de ler desde pequena e comprei os livros 'Persuasão', 'Orgulho e Preconceito' e 'O Diário de Anne Frank'”, destaca.

LOGÍSTICA

Foram nove secretarias municipais envolvidas diretamente na organização da FeliS: Cultura (Secult), Educação (Semed), Governo (Semgov), Obras e Serviços Públicos (Semosp), Segurança com Cidadania (Semusc), Trânsito e Transportes (SMTT), Comitê Gestor de Limpeza Urbana e Blitz Urbana.

A logística do evento incluiu um contingente de profissionais da segurança privada, Guarda Municipal, limpeza, Bombeiros Civis, Blitz Urbana e Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, além de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A equipe FeliS contou com 35 colaboradores, entre coordenadores de espaço, receptivo, assessoria de comunicação, fotógrafos, locutores, motoristas, operacionais e assistentes de produção. Também houve 100 monitores e 10 intérpretes de libras.

A Feira teve como parceiros de programação artística e cultural a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged), professor Clay Carlos, Coral da LBV, Escola Comunitária Criamor, Fundação da Criança e do Adolescente (Funac) do Maranhão, Gamar, Grupo de Dança Lambachata, Ilha Literária - Rede de Bibliotecas Comunitárias de São Luís, Kid Juba de Leão, projeto Tec-Teca e Unidade de Educação Básica Canãa.

O Projeto Extensão Felis levou programação cultural às instituições Instituto Lápis na Mão, Asilo de Mendicidade, Hospital Universitário Materno Infantil, Hospital Juvêncio Matos (hospital Infantil), Centro de Nefrologia do Hospital Universitário Dutra, Associação Carente de São Benedito, Instituição Semente da Esperança do Coroadinho, Associação Antonio Bruno, APAE, Circo Escola da Cidade Operária, Projeto Inclusive Praia, Comunidade Vila Dom Luís, Colégio Nossa Senhora da Conceição – Cidade Olímpica e Escola Comunitária Cauane Mateus.

Vários eventos foram realizados dentro da programação da Feira, como o II Encontro de Escritores e Leitores Maranhenses da União Brasileira de Escritores (Ube); XI Seminário de Políticas Públicas de Bibliotecas, Leitura e Informação; I Simpósio Internacional sobre Trabalho e Organização Profissional, Seminário de Educação Matemática da Semed São Luís; e Encontrão Falma com Academias de Letras do Maranhão.

A FeliS contou com o apoio da Vale e Gasmar, além da parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc), Ministério Público do Maranhão, Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Academia Maranhense e Ludovicense de Letras, Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Consórcio Intermunicipal Multimodal.

NÚMEROS DA 13ª FELIS

- Público de mais de 160.000 visitantes;

- Mais de 600 atividades gratuitas;

- 27 espaços;

- 70 estandes de livreiros;

- 300 editoras locais e nacionais;

- Mais de 70 lançamentos de livros;

- 150 mil livros colocados à venda;

- 100 mil livros, comercializados;

- Volume de negócios de R$ 2 milhões;

- Participação de 120 autores locais;

- Participação de 11 autores nacionais;

- Projeto Extensão FeliS levou programação cultural a 10 instituições;

- Projeto Proseando na Felis visitou 14 escolas.

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